É possível se apaixonar em apenas 45 minutos?

Três décadas atrás, o psicólogo americano Arthur Aron realizou um experimento a fim de comprovar que duas pessoas podem se apaixonar em apenas 45 minutos. Ele colocou dois desconhecidos frente a frente; um homem e uma mulher, e fez com que respondensem 36 perguntas pessoais, divididas em três sets. A cada pausa, eles tinham de se olhar nos olhos, silenciosamente, por alguns minutos. Seis meses após o teste, os voluntários acabaram se casando e convidaram a equipe médica para a cerimônia. Obviamente, o doutor não se limitou a apenas uma experiência e continuou realizando o estudo por cerca de 15 anos.

Eu descobri essa história em 2015, quando Mandy Len Catron publicou o artigo ‘To Fall in Love With Anyone, Do This‘ no The New York Times. No texto, a escritora contava que havia testado a sabatina em um primeiro encontro e também obteve sucesso. Desde então, fiquei com vontade de tirar a prova, mas à época estava comprometida. Quando acabei o relacionamento, alguns meses mais tarde, optei por passar um período sozinha e, por consequência, com o tempo, esqueci o estudo.

Até que em março do ano passado, marquei um date no Tinder. O que para muita gente é algo rotineiro, para mim é quase um pesadelo. Nunca sei como agir em encontros marcados. Gosto mais quando eles acontecem de forma espontânea. E foi justamente nesse desespero momentâneo de pensar no que dizer, como agir, o que fazer, que o questionário me veio em mente e resolvi usá-lo como quebra gelo.

Entre uma cerveja e outra, conduzi as perguntas. Ele já sabia que eu era jornalista e usei a profissão como gancho para propor o questionário. Ele achou graça e consentiu. Eu peguei o celular, dei um Google, encontrei o experimento e dei início às perguntas. Não tive coragem de dizer ao cara que estava usando-o para testar a eficácia de um estudo que promete fazer desconhecidos se apaixonar. Ele, por outro lado, gostou da ‘entrevista’, disse que achou diferente das outras conversas que geralmente tem nos dates. E foi assim que eu ouvi e falei, tive acesso ao íntimo de uma pessoa que não fazia ideia se veria novamente.

Lá estava eu descobrindo quem ele gostaria de ser caso fosse famoso, como seria seu dia perfeito, ao que ele era mais grato… Bem como compartilhando minha memória mais aterrorizante, a última vez que chorei, um sonho que ainda não realizei… Algumas questões, por mais insólitas, são tranquilas de serem respondidas. Outras não fazem muito sentido – especialmente se a outra pessoa não sabe do que se trata a sabatina – como ‘listar coisas que acreditam ter em comum’ ou ‘elogiar qualidades que você enxergou na pessoa’. Como repórter de longa data, tirei de letra e reformulei a forma de questionar, com o intuito de não forçar a barra de primeira (rs).

É bem provável que, a essa altura, você esteja se perguntando se deu certo e nos apaixonamos de fato. Pois bem, sim! Na real, não sei dizer se aconteceu graças à experiência, mas realmente ficamos juntos. Desde então passamos a nos ver todos os dias, metemos o romance, virou namoro e hoje moramos juntos. Então, pessoalmente, posso dizer que a experiência vale e contribui para proporcionar empatia e intimidade momentânea entre dois desconhecidos, mas, claro, não é e jamais será, suficiente para fazer um relacionamento durar. A paixão pode vir de diversas maneiras, mas uma relação é uma contrução cotidiana.

Ainda assim, seja você solteirx à procura de um amor ou mesmo comprometidx, indico a sabatina. Até mesmo para quem já é um casal, é bem provável que boa parte das questões tenha respostas desconhecidas um pelo outro. Sem contar que outras contribuem para a manutenção da ‘chama acessa’, como a de valorizar características positivas, por exemplo. Com a rotina, é comum que a gente acabe deixando elogios sinceros de lado e se limitando ao ‘eu te amo’ de sempre.

Aliás, a própria Le Catron acabou comandando uma TED TALKS em decorrência do sucesso de seu artigo explicando que se apaixonar é a parte fácil, o difícil mesmo é seguir adiante quando a paixão se esvai. E nesse caso, ainda não inventaram nenhuma receita realmente eficaz…

nos_act_2018(e cá estamos! :-P)

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Adele Grandis: Taurina com ascendente em touro - isso explica muita coisa!