Cê já falou com a Fabi Grossi?

Se por um lado a tecnologia nos proporciona expandir a sexualidade através do sexting, troca de nudes e afins, por outro ela também é responsável por uma das principais motivações de suicídio entre jovens: a vingança pornográfica!

Segundo a organização de defesa dos direitos humanos na Internet, a SaferNet, as denúncias recebidas sobre ‘revenge porn’ quadruplicaram entre 2012 e 2014, indo de 48 para 224 casos. Em 2015, esse número cresceu ainda mais, para 322 casos.

A história é praticamente a mesma e, em sua maioria, tem os homens como vilões: o relacionamento acaba e o cara joga na rede imagens e vídeos íntimos da antiga parceira. Muitas vezes envia o material para o círculo social da moça e compartilha também seus contatos (como e-mail, telefone e até endereço).

Mesmo quem tem conhecimento dos procedimentos adequados para enfrentar tal infortúnio acaba abalado com a situação. Algumas pessoas sofrem represália, perdem emprego, tem o psicológico abalado e terão de lidar com esse fantasma virtual por tempo indeterminado – uma vez que é praticamente impossível ter total controle de um material difundido na internet.

Procurando por alternativas para auxiliar as vítimas da vingança pornográfica, em especial entre adolescentes – ainda segundo a Safernet 60,71% delas têm entre 10 e 17 anos – a Unicef e o Facebook se uniram com a empresa argentina Sherpas para desenvolver um dispositivo interativo de inteligência artificial com o intuito de evitar o crime e informar como proceder em tal situação.

O resultado é o projeto Caretas, que possibilita interatividade em tempo real através de Fabi Grossi, de 21 anos. Ela é uma personagem fictícia que, após terminar o namoro com Diego, teve um vídeo íntimo compartilhado na internet pelo ex.

E mais sobre o desenrolar dessa história você pode conferir de maneira personalizada, acessando a fanpage do projeto e iniciando um chat com a moça. Assim que você dá o ‘oi’, ela começa a desabafar; tal como faria qualquer outra menina de sua idade: usando gírias, compartilhando selfies, enviando áudios…

O tempo de duração do bate-papo varia conforme as respostas que você der a ela, durando, em média, 48h.

A história é uma ficção, mas tem como base fatos reais. As fotos e a voz são de uma atriz, mas o bate-papo flui bem graças à inteligência artificial, que usa suas próprias respostas para direcionar o conteúdo da fala da personagem.

Quem chega até o final do experimento pode responder algumas perguntas que servirão para o aprimoramento do aplicativo.

fabi_grossi_caretas
Lançado oficialmente no final de fevereiro, o rebot foi previamente testado com 7,4 mil adolescentes brasileiros entre junho e novembro de 2017.

Esta é a primeira vez que a Unicef usa uma estratégia com o Facebook Messenger. Considerando que 1 em cada 3 usuários da internet tem menos de 18 anos, o órgão pretende expandir o experimento para outros países, partindo do princípio de que através de um ambiente familiar e com linguagem próxima a do público-alvo seja possível encontrar novas alternativas eficazes de combate e prevenção à vingança pornográfica.

[Como foi nossa experiência?]

Resolvi testas a iniciativa na tarde de uma sexta-feira. Não demorou cinco minutos para que Fabi me respondesse e começasse a contar sua história. Nossa conversa durou até segunda, pouco depois do almoço. O envio de áudios e imagens realmente traz mais proximidade à personagem, mas acredito que nossa diferença de idade não contribuiu para que eu tivesse afeição por ela.

Não importava muito o que eu escrevesse, suas respostas pareciam ‘egoístas’. A inteligência artificial precisaria melhorar um pouco isso. Ela pedia uma opinião, eu dava, mas sua resposta quase não tinha relação com o que eu havia sugerido…

Eu sou do tipo de pessoa que jamais me importaria se um conteúdo íntimo caísse na rede. Tentava mostrar esse ponto de vista e auxiliar com conselhos como contar aos pais, não dar devida importância ao fato, desligar o telefone para não sofrer com a enxurrada de mensagens, prestar queixa e afins, mas eram raras as situações nas quais algo que eu dizia era compreendido pelo sistema.

De todo modo, talvez, para uma pessoa mais nova (eu tenho 32 anos), o rebot surta efeito. Não há como negar que as informações passadas por Fabi são importantes. Primeiro porque a própria condição dela faz com que tenhamos empatia – você começa a imaginar como seria a decepção com alguém querido, os comentários dos amigos ao verem o vídeo, as mensagens e ligações de desconhecidos, o processo de denunciar…

Fabi também revela que é crime compartilhar qualquer conteúdo na rede sem autorização prévia, onde buscar ajuda online, dados e estatísticas de casos similares e como fazer a denúncia.

Comentários

Comentários

Adele Grandis: Taurina com ascendente em touro - isso explica muita coisa!