O que você estava vestindo?

Em 2013,  Jen Brockman, diretora do Centro de Educação e Prevenção de Assédio Sexual da Universidade do Kansas, criou o projeto ‘What Were You Wearing?’, que visa quebrar o pressuposto de que o estupro é motivado por roupas teoricamente provocativas usadas pelas vítimas.

Desde então, a profissional realiza encontros em diversas faculdades americanas – como Arkansas e Iowa – reunindo mulheres que passaram por tal ato de violência a fim de saber o que elas vestiam no momento em que foram violentadas.

Em setembro passado, a iniciativa ganhou instalação na Universidade do Kansas. Foram 40 depoimentos e 18 peças expostas – todas coletadas desde a inauguração do projeto.

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Agora em janeiro, o ‘What Were You Wearing?’ acabou virando mostra no Centro Comunitário Marítimo de Molenbeek, em Bruxelas. É que ao saber do movimento, Delphine Goossens, profissional do serviço de prevenção da capital belga, entrou em contato com Brockman para realizar uma representação da mostra em seu país.

Com a aprovação, Goossens traduziu os testemunhos originais das alunas para alemão e francês e garimpou roupas que representassem as descritas no projeto original.

Ao se deparar com roupas como pijama, farda policial, uniforme escolar infantil e outras peças nada ‘apelativas’, é inevitável a compreensão óbvia de que o estupro é um crime cometido por motivação única e exclusiva do criminoso, independente do que veste a vítima.

É incabível que uma mulher, em situação pós-traumática, tenha de comparecer a uma delegacia para prestar queixa e responder o que trajava no  momento da violência, como se sua roupa tivesse qualquer relação com o ocorrido.

Infelizmente, o estupro é um abuso contra mulheres de qualquer idade, que pode acontecer a qualquer momento e em qualquer local. E, jamais, será culpa da vítima.

Na mostra, por exemplo, há dois paineis voltados a duas mulheres que sofreram três estupros cada. Uma delas estava com a mesma roupa nas três ocasiões, enquanto a outra vestia peças completamente distintas em cada ato.

A exposição traz ainda dados locais referente ao estrupro. 56% dos belgas conhecem pelo menos uma pessoa que tenha sido abusada sexualmente e uma a cada quatro mulheres vivenciaram abusos físicos em locais públicos.

Com a repercussão que o projeto teve na mídia e o sucesso de visitas, Goossens espera que a iniciativa se espalhe por toda a Europa: ‘A crença de que uma roupa ou o que alguém veste é a causa do estupro é algo extremamente prejudicial aos sobreviventes deste ato violento. Espero que outras escolas ou universidades dêm continuidade à proposta’.

 

 

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Adele Grandis: Taurina com ascendente em touro - isso explica muita coisa!