Contra censuras e curas gays…Madblush apresenta EP Cactus

Setembro de 2017, Porto Alegre, Brasil, Queer Museu é censurado dentro do Instituto Santander. Peças de artistas LGBTQs são vetados por “incitarem a pedofilia”, segundo os mais conservadores, quando na realidade tais artistas estavam apenas retratando a sua vivência como pessoa LGBTQ que um dia também já foi criança.

Na mesma cidade, há mais de uma década resiste um artista único. Alguém que vem dando seus passos de maneira particular e sempre fiel a si mesmo. Madblush começou apenas como Blush, uma marca que contorna não apenas seu rosto – já que seus visuais são incríveis – mas borra toda a caretice conservadora que vivemos em nosso país.

Para conhecer um pouco mais desse artista fizemos um bate-bola, intercalando com seus visuais mais marcantes, e claro, algumas músicas suas! Ouça e Confira:

ACT:  Onde e quando nascem Madblush?
Quando comecei a cantar em 2007 em Porto Alegre meu nome ainda era somente “Blush“. Herança da época em que eu fazia drag. Por questões profissionais eu pensei em mudar o nome. Pra ter uma identidade mais única. Aí em uma conversa com uma super amiga, em um café, surgiu essa a ideia de colocar um complemento… Daí nasce o Madblush.
“Coloca “Mad” de louco, inquieto… Bem vc!” – Disse minha amiga (risos). Uma mudança que realmente fez diferença e acredito que assinou de vez o surgimento do meu “eu musical” podemos dizer. Eu comecei a compor e produzir sozinho o que foi muito importante pra poder me expressar como artista.
KISS 1 DIVULGAÇÃO8
ACT: Gênero, o que isso significa pra você?
Humm…. Eu poderia dizer que gênero é uma “etiqueta” que te colocam quando tu acaba de chegar nessa bagunça chamada de mundo.
Muitas vezes você dá sorte e a “etiqueta” tá certa. Em outras não. Aí quando erram a sua “etiqueta” vocêc trava uma batalha pra poder mudar e muitas vezes isso é longo e doloroso. Ou simplesmente você não quer usa-la, acho que é muito o meu caso, aí fica complicado também, porque mesmo alguns que lutaram pra trocar sua “etiqueta ” muitas vezes não entendem quem transita por vários sentidos e não quer usar “etiqueta” nenhuma pra ser definido.

Resumindo a questão de gênero significa pra mim abrir um debate pra esclarecer, explicar e não complicar e sim libertar.​

Foto crédito - Maryane Moura1

ACT: Se você pudesse selecionar 3 visuais seus, quais seriam? (fotos) E conta quantos visuais você acha que já realizou no seu tempo de carreira.
Nossa a questão visual pra mim sempre foi uma loucura! Sou inquieto e gosto sempre de mudar e poder criar visuais para ilustrar meu trabalho com a música.
Acho que eu posso selecionar 3 bem diferentes entre si pra mostrar esse lado camaleão. Um visual mais carregado e agressivo com os spikes, outro com a mistura mais étnica, cultural que muitas vezes surge em meus visuais, muitas vezes de maneira instintiva. E o outro mais andrógino com bigode.
E como contar os visuais? Acho meio impossível! Centenas!
 Foto crédito - by Electromagnetico
ACT: Qual foi a melhor experiencia que você já teve enquanto artista LGBTQ. E a pior?
Acho que a melhor experiência é a liberdade de poder ousar, ser diferente fazer mais e poder com minha voz, minha música, tentar mudar a cabeça das pessoas. Mostrar novas sonoridades construídas a partir do que eu sinto. Tenho feito um trabalho verdadeiro e que eu acredito ter grandes diferenciais e isso tem se evidenciado cada vez mais. Esse processo todo tem sido por si só uma experiência fantástica.
A pior experiência talvez é ver que muito do “vanguardismo” que tínhamos tem sido engolido por uma massificação em nome de uma inclusão. A inclusão é necessária mas acho que deveríamos valorizar grandes talentos, criações e originalidade e não só mais do mesmo para sermos todos “iguais” e aceitos. Outro aspecto que me incomoda eu poderia descrever assim: As letras que compõem toda a diversidade também carregam muitas vezes entre si desunião. Isso é bem triste. E por isso em muitos aspectos estamos paralisados ainda.
ACT: Dentre geração de artistas que você faz parte, que são conhecidos pelo conteúdo sobre diversidade, qual deles mais te chama atenção?
Posso citar pela sonoridade, como colocam as letras e a energia que me passam, dois nomes:
MC Linn da Quebrada e As Bahias e a Cozinha Mineira.

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Adele Grandis: Taurina com ascendente em touro - isso explica muita coisa!