A pornografia feminina que toda mulher merece conhecer

Diariamente surgem 266 novos sites pornográficos na rede. 25% das pesquisas em ferramentas de busca envolvem sexo (o equivalente a 750 milhões de consultas diárias). 1 em cada 4 pessoas que entram em sites pornôs é mulher. As brasileiras e as filipinas são as que mais acessam pornografia online – buscando, na maioria das vezes, por sexo lésbico e threesome.

Ok, de acordo com dados e estatísticas, as mulheres têm consumido e desfrutado de conteúdo pornográfico. Mas este ainda é um assunto polêmico. Antes dos avanços tecnológicos, qualquer conteúdo pornográfico era direcionado único e exclusivamente aos homens. E como o gozo feminino sempre foi tabu, pouca chance e oportunidade tinham as mulheres de se beneficiar do pornô.

Contudo, a internet trouxe a liberdade para que pudéssemos acessar tais conteúdos, bem como a conscientização do quanto a pornografia mainstream é opressora. Uma vez que sexo não é falado abertamente em casa ou na escola, nossas referências iniciais se baseiam no que consumimos às escondidas na rede.

O pornô ‘tradicional’ aposta em corpos femininos que não correspondem à realidade e em enredos que demonstram a submissão da mulher em prol, única e exclusivamente, do prazer masculino.

E assim, são expectativas que não correspondem à realidade. O sexo de quem é educado pela pornografia tende a ser plástico; com homens reproduzindo o papel dos atores pornôs e mulheres insatisfeitas sendo objetificadas e com uma infinidade de questionamentos quanto suas ‘performances’ sexuais.

Para a feminista Robin Morgan ‘a pornografia é a teoria, o estupro é a prática’. Caso você considere a afirmação extremista, pense novamente; considerando o quanto a pornografia mainstream heterossexual dita uma ideia estreita e limitada do que é a sexualidade humana.

Ao seu favor está Cindy Gallop, que em 2009 ao lançou o projeto Make Love Not Porn (“Faça amor, não faça pornô”); um site educativo que mostra as diferenças entre o sexo real e aquela dos filmes adultos através de desenhos e vídeos.

Não, isso não quer dizer que mulheres depreciam pornografia e que não somos capazes de sentir prazer e nos masturbar diante de conteúdo pornográfico. Muito menos que sexo, para nós, consiste apenas em ‘papai e mamãe’ com juras de amor ao pé do ouvido.

O simples fato de podermos ter fácil acesso aos conteúdos pornográficos e uma vasta opção de acervo sexual online já é algo libertador. Existe uma infinidade de vertentes dentro do universo pornô – o que nos permite explorar muito além do mainstream.

Autora do livro ‘XXX: A Woman’s Right to Pornography’, Wendy McElroy diz que ‘a censura ou qualquer repressão sexual inevitavelmente se volta contra as mulheres, especialmente aquelas que querem questionar seus papeis tradicionais. A liberdade de expressão sexual, incluindo a pornografia, cria uma atmosfera de interrogação e exploração. Isso promove a sexualidade das mulheres e sua liberdade’.

Essa vastidão de pornografia nos beneficia, permitindo que encontremos aquilo que nos dê prazer, proporcionando novas formas de explorar nossos corpos e nos impor sexualmente, independente do desejo masculino, além do script tradicional.

Bem como em Hollywood é díspar a quantidade de cineastas homens e mulheres, na pornografia a realidade é a mesma. Porém, cotidianamente cresce o número de diretoras que voltam suas atenções à pornografia feminina.

Considerando que cada pessoa tem sua predileção sexual, o trabalho dessas mulheres é amplo e cada uma delas tem seu segmento; dos softporn, com direito às historinhas românticas ladeando as cenas de sexo explícito às hardcore, com mulheres de cinta-caralha comendo o cu dos caras.

O diferencial é que, por serem mulheres, elas sabem muito bem transparecer o que outras mulheres sentem, gostam e esperam diante da pornografia.

Esse ativismo feminino na pornografia tem contagiado até mesmo as próprias atrizes pornôs. Algumas das mais populares da atualidade – como Mônica Mattos, Sasha Grey e Stoya – não se submetem a fazer qualquer cena apenas porque estão sendo pagas por isso.

E nós, favoráveis ao empoderamento feminino através da masturbação e autoconhecimento, elencamos algumas diretoras de pornografia que toda mulher merece conhecer. Confira um pouco da minibiografia de cada uma delas e se joga no Google.

:: Anna Span ::
Produtora e diretora britânica que constantemente faz discursos públicos sobre feminismo, sexo e pornografia. Seus filmes têm estilo gonzo-realístico que incluem cenas grupais, lésbicas, bissexuais e heterossexuais.

:: Candida Royalle ::
A pioneira do pornô para mulheres e casais. Seus filmes são focados no prazer feminino e não terminam com ‘gozadas na cara’.

:: Erika Lust ::
Diretora sueca que dirige altas produções nas quais o roteiro tem a mesma importância que as cenas de sexo explícito.

:: Gala Vanting ::
Ela se considera uma ‘imaginadora erótica’ e seus filmes exploram o universo BDSM, o sexo queer e diferentes formas de intimidade.

:: Jacky St. James ::
Inicialmente trabalhou com estúdios consagrados de Los Angeles, até iniciar sua carreira independente, com romances pornográficos. Atualmente produz filmes sobre relacionamentos tabus.

:: Jennifer Lyon Bell ::
Seus filmes expressam realismo emocional e apresentam contexto emotivo às cenas de sexo explícito.

:: Kate Sinclaire ::
O trabalho dessa canadense tem pegada alternativa. Em sua maioria, seus filmes são focados no queer e performances solo – com um toque indie – e celebram a diversidade dos corpos e da sexualidade.

:: Lucie Blush ::
Atriz e pornógrafa francesa baseada em Berlim. Seus filmes retratam suas próprias fantasias e experiências sexuais. Com um toque de humor, ela retrata seu processo de exploração sexual.

:: Maria Beatty ::
Baseada em Paris, dirige filmes artísticos com cenas realistas de fetiche lésbico; descritos como ‘erotic noir’.

:: Michelle Flynn ::
As produções desta australiana têm estilo cinematográfico com excelente fotografia para as cenas triviais de sexo.

:: Morgana Muses ::
Diretora criativa da Permission 4 Pleasure (produtora especializada em conteúdo ético sobre erotismo, fetichismo e sexualidade), ela é a favor de abordar a beleza do envelhecimento e o positivismo do sexo – especialmente através de curtas biográficos e experimentais.

:: Ms. Naughty ::
Produtora e diretora australiana que iniciou a carreira com filmes heterossexuais e hoje é vencedora de diversos prêmios pornô feminista.

:: Nikki Silver ::
Baseada em São Francisco, atuou como atriz pornô por quase dez anos até optar por ir para trás das câmeras. O foco de seus filmes são os pelos e corpos naturais e reais. A maioria deles é sobre sexo queer ou lésbico.

:: Nina Hartley ::
Protagonista de mais de mil filmes pornográficos, lançou-se como diretora através de uma série de guias instrucionais sobre diversas temáticas sexuais.

:: Ovidie ::
Repletos de senso de humor, os filmes da francesa têm roteiros biográficos focados em seus relacionamentos.

:: Pandora Blake ::
Performer e diretora que mora na Inglaterra e tem como foco o universo fetichista (BDSM, dominação e spanking) através do olhar feminino.

:: Petra Joy
A britânica descreve seu trabalho como art-core; filmes focados no prazer feminino realizados através de perspectiva feminina.

:: Shine Louise Houston ::
Super premiada, a pioneira do pornô feminista vive em São Francisco e conduz filmes de performance queer que celebram a diversidade da sexualidade humana.

:: Tristan Taormino ::
É conhecida pelo pornô educativo e boa e instrutiva referência de sexo anal.

:: Zahra Stardust ::
Premiada atriz e diretora pornô que mescla arte, política e sexo em seus filmes.

[Fontes: PornHub, The Week e Stimuli Curieux et Insolites]

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Adele Grandis: Taurina com ascendente em touro - isso explica muita coisa!