Vida de marido de drag queen

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Ed Carlos Varanis é marido de Diego. O casal está junto há cinco anos, desde quando Diego saiu de São Paulo e veio para Campo Grande viver um amor. Um mês após ter vendido tudo o que tinha na grande metrópole, ficou sozinho, em uma cidade desconhecida. Cerca de seis meses depois, eles se conheceram e até hoje estão juntos. Como é costume chamar a drag que te auxilia na carreira de “mãe”, aqui, Carlos é também chamado carinhosamente de “pai” pelas filhas de Lauanda e participa da montação de todas.

Como é ser marido de uma drag?

“Olha não é fácil. Você tem que se adaptar a correria dela, todo fim de semana é isso. Tem que aceitar que ela vai viajar, tem shows que eu fico meio assim, mas tem que apoiar, a gente tem que apoiar, mas tem coisas que eu não gosto. Ele tá nessa correria há três anos.

Isso começou quando a gente fez uma festa (Festa das Bunitas) e uma amiga (a drag que seria hostess) deixou a gente na mão. Aí ele falou assim, “Eu vou ter que me montar”. ‘Tá, só essa noite?’ ‘É, só essa noite’. No começo eu sabia que existia uma drag, mas eu pensava ‘deixa ela lá’. Nessa brincadeira, a Lauanda ressurgiu.

Eu me montei também, que é a Charlotte, mas eu particularmente não gostei porque eu suo bastante, sou muito bruto, não vou ter essa delicadeza que a Lauanda tem de cuidar da maquiagem, eu ia passar a mão, ia desmontar tudo.”

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A convivência com Diego que, segundo o marido é bastante criativo e agitado, fez com que Carlos também criasse um show. Carlos e Wellington Andrade tiveram a ideia de criar, em 2014, o grupo Revolution que teve vida curta. Os três meses de grupo renderam cinco apresentações, em boates, em um sarau de dança em uma academia, e outras três participações como bailarinos de drags.

O que era o Revolution?

“Era um grupo de dança de homens, porém a gente dançava de salto e utilizava acessórios femininos, principalmente o leque. Era eu, o Wellington e um terceiro integrante que a gente sempre mudava.

A gente abria vaga pra esse integrante, mas é difícil achar alguém que queira dançar, no começo, por hobby. Porque ninguém começa ganhando cachê, quando ganha é sempre cachê muito baixo e as pessoas achavam que a gente tinha um retorno muito alto, mas não, a gente ainda investia em roupa, acessório, era ensaio e que sempre acontecia de madrugada, as pessoas dormiam aqui. A gente ensaiava da meia-noite até às 5 da manhã.

Pra dançar Stiletto, às vezes, um pulinho que você não dá, não dá o efeito que precisa na coreografia e muita gente não queria investir esse tempo no ensaio, não queria ter esse sacrifício. E não é todo mundo que se acostuma ficar o tempo todo no salto. Depois da apresentação, a gente descia do palco ia pra boate caracterizado porque as pessoas queriam tirar foto, queriam ver se a gente tava realmente de salto.

O grupo acabou porque cada um seguiu rumos diferentes. Eu fui promovido na empresa e precisei abandonar esse lado artístico pra investir na minha carreira profissional.”

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