Memento Drag Queen: Sophya Lee

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Christyan Lescano, a.k.a. Sophya Lee, 26, é formado em Recursos Humanos, faz Biomedicina e começou a fazer drag há um ano. A mãe drag dela é Amanda Thompson. “Eu comecei a me montar com um concurso numa boate que meu primo (Giorgia Bitch) tava montado e ganhou. Fui montado com a Amanda pra gente comemorar. Éramos três, o trio The Bitchs, também pela influência do RuPaul, e a gente começou a se montar, sair na noite e a gente passou a sair sempre. Parece que é um vício, você começa a querer sair todo dia.”

A origem do nome Sophya Lee vem dessa época do trio. “Quando fui fazer o face da Sophya, o Facebook não aceitou porque bitch é puta em inglês, neh, e aí fui procurar na internet, os nomes americanos e vi o Lee, achei legal e ficou. O Sophya veio do nada. Eu via o Victoria Secrets e aquelas modelos e tinha uma Sophia.”

Christyan encara a drag diferente das outras artistas, para ele é só uma diversão e, também, nunca imaginou que um dia seria drag. A visão que ele tinha da arte era preconceituosa e repleta de equívocos.

“Se você me perguntasse isso, lá atrás, se eu queria ser drag eu ia dizer, nossa, jamais. Acho que é da nossa cultura mesmo, que liga com travesti, com putaria, não com trabalho artístico. Muitos amigos meus, que são heteros, quando falo que faço drag já falam ‘Nossa, mas você faz programa’, ‘Não, eu sou drag’, ‘Ué, mas drag não faz programa?’ e aí eu tenho que explicar. Acho que a gente não tem como cobrar porque as pessoas não têm esse conhecimento, e aí a gente vai cobrar? Não, a gente não vai cobrar.”

Christyan conta que a família levou muito tempo para aceitar que ele é gay e que alguns parentes ainda não sabe que ele faz drag.

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“Meu pai uma vez disse, ‘Eu prefiro ter um filho drogado do que ter um filho gay’. Mas nossa, mas o que é ser gay pra ele? Não que um drogado não seja digno, mas olha o pensamento de uma pessoa ter a preferência por uma coisa absurda, que a sociedade aceita menos que um gay. Então, eu já ouvi dele, de amigos, então, às vezes, a sociedade não entende esses mundos paralelos. A sociedade, às vezes, aceita mais um marido que tem uma amante do que ter um filho que seja drag ou nem isso, mas que seja gay.

Meu pai, uma vez, viu minhas fotos no computador – da Sophya – e disse que eu deveria estar fazendo programa por isso que tava daquele jeito. Ele ficou um tempo sem falar comigo. Hoje ele nem toca no assunto.

Muita gente da minha família hoje sabe e me apoia, me aceita, tios, primos. Isso é legal quando você mostra uma foto e eles dizem ‘Nossa, que linda’, não é uma coisa que a pessoa vai te julgar pelo mal. Julgar todo mundo julga, você fazendo nada, as pessoas já te julgam, falam mal de você; que falem então, pelo menos, de uma coisa que você esteja feliz. Eu aprendi a filtrar muita coisa, a ouvir as pessoas falarem e, realmente, é isso ou não, não é. Isso eu aprendi com a minha drag a diferenciar essas coisas.

Eu passei a entender sentindo na pele o que é ser uma drag, o que é se montar, é a gente vai vendo que é um outro mundo. E assim, é um mundo nosso, mas é tão saudável, é um mundo tão bom, a gente não faz mal pra ninguém.”

Christyan costuma publicar snaps, aos fins de semana, e conta que os amigos sempre gostam. “Eles até falam que quando acordam, sábado de manhã ou no domingo de manhã, já vão direto olhar as minhas postagem no aplicativo pra ver se saí ou não e sempre dão retornos positivos.”

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