Memento Drag Queen: Rafa Spears

img_6287

Rafael Moraes, descobriu que existia drag queen aos 13 anos. “Comecei a ir ao Bistrot porque tinha um amigo que morava bem ali em frente.” Na época, o encantamento era com as drags Brenda Black e Kayka Sabatella (1963-2012). O nome de drag é uma junção do apelido Rafa, que já era conhecido, e Spears da cantora e atriz norte-americana Britney, de quem é fã incondicional. Rafa já foi também Valquíria Tsunami, antes de participar do primeiro concurso, em setembro de 2013, quando Rafa Spears se apresentou pela primeira vez.

O que Brenda e Sabatella tinham que te atraía?

“Brilhar em cima do palco, querer mostrar o melhor em cima do palco. Se eu tô aqui é porque eu dou conta de fazer. Ninguém sobe no palco pra passar vergonha e se sobe, não vai querer voltar. A partir do momento que você sobe no palco e você vê que é boa, você quer continuar.

Até que um dia saiu um show. Eu morria de vergonha, tinha receio do que o povo ia falar, primeiro porque eu já era rechonchuda, recheada, toda trufada da cabeça aos pés. Aí falavam pra mim ‘Ah não, vão zoar da sua cara, imagina, uma gorda em cima do palco, vão te tacar tomate’.

Quase todos os anos tinha o evento do Frank (Rossatte), esse evento que tá acontecendo agora na cidade, o concurso de Drag Style dele. Eu sempre quis participar, mas era sempre assim: eu me preparava, preparava, preparava, ia atrás de roupa, ia atrás de tudo e aí chegava na hora, chegava alguém com alguma palavra e me desanimava e aí eu pensava, não, não vou que vai que acontece alguma coisa e por medo eu não ia.”

img_6277

“Eu tinha uns 16, 17 anos. Nessa época não tinha mais aquela magia de drag que tinha no Bistrot porque já tava fechando ou já tinha fechado. Só tinha a Non Stop que era na antiga rodoviária e a única drag que continuava lá era a minha mãe, a Brenda Black, que é a Fófis (apelido carinhoso de drag dela), que hoje é a Lizandra de Barros, que é uma transexual, e aí só tinha ela no ramo.

Sempre tive muita magia no bate-cabelo, pra mim quem batia cabelo tinha tudo naquela época, a gente via aquele fervo assim e eu tinha uma bucha desse tamanho (falando do cabelo), parecia um microfone porque naquela época eu era magrela neh, o pessoal olhava assim e falava ‘Olha lá o tamanho daquela cachopa’. Aí eu comecei a alisar o cabelo e logo em seguida comecei a bater cabelo.

Até que aconteceu a festa que o Glauber Portman me chamou, e eu muito nervosa, e aconteceu o bafo do show todo, lá perto do aeroporto, foi pa-pa-pum. Isso foi uma semana antes do dia 13 de setembro de 2013. Foi babado.

Tanto que no primeiro dia eu pensei, meu deus, a minha amiga vai ficar sabendo disso e vai ficar brava comigo e lá-lá-lá… Eu quase não fiz o show, mas aí acabou acontecendo, ela aplaudiu, tinha muita gente chorando no dia pelo fato d’eu ter conseguido o bafo.

Eu sempre quis me apresentar pro grande público. Nossa, quando eu entro no palco da parada LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) daqui da cidade, nossa parece que tô entrando no Rock in Rio. Aquela vibração do povo te gritando, sabe, é tudo de bom. É um sonho realizado, graças a Deus.”

Agora, Rafa sonha participar do Gala Drag Queen que acontece na Espanha. “Eu ainda espero conquistar o Brasil, mas ainda tem muitas metas pra chegar lá, neh, mas eu pretendo fazer show em todas as casas do país e quem sabe um dia ir pra Gran Canaria, neh, e por que não? Lá tem os maiores espetáculos de drag queen. Lá drag queen é extremamente valorizada. Acho que o máximo, do máximo do patamar que eu pretendo chegar na minha vida, é lá.”

Comentários

Comentários