Memento Drag: Cruella Bloom

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Cruella Bloom fez sua primeira aparição em uma festa junina à fantasia, na boate Daza, em junho ou julho de 2015, ela não se lembra qual o mês exatamente. José Augusto Antunes Neto, de 19 anos, só queria se divertir já que a festa dava a liberdade de criar a fantasia que quisesse. “Todo mundo estava de caipira. Foi uma festa que era à fantasia, mas que ninguém entendeu nada. Só eu estava fantasiado.”

Foi o armário da mãe que deu a ideia do que vestir. “Vi as coisas da minha mãe, tinha o casaco de pele e pensei na hora na Cruella (Cruella de Vil, personagem do livro 101 Dálmatas, escrito por Dodie Smith, em 1956).” O Bloom é da personagem Beckey Bloom, criada pela escritora Sophie Kinsella. “É uma mulher que tem vício em compras, sempre amei os livros e o filme (Os Delírios de Consumo de Becky Bloom). Gosto da maneira que ela tem de pensar em situações.”

Um dos componentes de uma festa junina é o correio elegante, um sistema anônimo de entrega de cartas e recados. Nessa festa, Cruella recebeu várias mensagens, algumas perguntavam sobre a fantasia, havia os elogios e outras não muito simpáticas, como a da foto, que José guarda até hoje.

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Uma semana após a festa junina, José participou de um concurso de dublagem, no qual era recomendado estar travestido. Cruella ficou entre as três finalistas que ocuparam o 1º lugar. Na boate, as pessoas que estiveram na festa junina, a reconheceram: “Você não é a Cruella?”

“Nunca pensei, ‘ah, a partir de hoje vou fazer drag’.” Porém, a experiência daquela noite, no concurso de dublagem, fez com que ele perpetuasse a existência de Cruella.

No Destruidora Especial Kardashians (agosto de 2015), promovida pela boate Daza, José montou, de fato, pela primeira vez, uma personagem drag. Para esse concurso, ela preparou dois figurinos. Chegou à boate, com a roupa da primeira foto e, às três da manhã, tirou parte do vestuário e ficou só com o maiô branco e finalizou a apresentação com a moldura.

Cruella ganhou o concurso, cujo prêmio era ser, para sempre, convidado VIP da boate. “A Cruella aconteceu ali, naquele momento.”

O figurino foi inspirado na capa da revista Vanity Fair (junho de 2015). Para fazer a moldura, José usou bambu, papelão, fita crepe, cola quente e fio de telefone. “Eu uso tudo que eu acho na minha casa.”

“Nunca pensei, ‘ah, a partir de hoje vou fazer drag’.” Porém, a experiência daquela noite, no concurso de dublagem, fez com que ele perpetuasse a existência de Cruella.

No Destruidora Especial Kardashians (agosto de 2015), promovida pela boate Daza, José montou, de fato, pela primeira vez, uma personagem drag. Para esse concurso, ela preparou dois figurinos. Chegou à boate, com a roupa da primeira foto e, às três da manhã, tirou parte do vestuário e ficou só com o maiô branco e finalizou a apresentação com a moldura.

Cruella ganhou o concurso, cujo prêmio era ser, para sempre, convidado VIP da boate. “A Cruella aconteceu ali, naquele momento.”

O figurino foi inspirado na capa da revista Vanity Fair (junho de 2015). Para fazer a moldura, José usou bambu, papelão, fita crepe, cola quente e fio de telefone. “Eu uso tudo que eu acho na minha casa.”

Há um ano, José Augusto participa de concursos e vai a todas as festas travestido. “Já gastei R$ 80 em fita crepe. A única coisa que não faço ainda são minhas roupas.”

Para ele, a fama de Cruella mudou a relação com as pessoas. “Antes eu dava uma opinião e ninguém dava valor, era mais uma entre tantas outras. Agora, quando a Cruella diz alguma coisa tem um peso enorme. As pessoas prestam atenção.”

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Esse é o kit básico de Cruella. Ela conta que até hoje não tem tudo que é necessário para uma maquiagem perfeita e nem são os melhores produtos. O investimento na Cruella é proporcional a renda de Cruella, de suas participações em festas. José, que é vendedor em uma loja no Shopping Bosque dos Ipês, gasta seu salário com outras coisas.

Tanto maquiagem quanto figurino, Cruella procura inspiração em documentários, filmes, séries e na internet. Suas referências são Ellis Atlantis, Raja e Raven do Fashion Photo Review, e Violet Chachki, vencedora da 7ª temporada do reality show RuPaul’s Drag Race.

Para compor o figurino e maquiagem, Cruella usa de recursos não muito comuns. “Uso muito Super Bonder (utilizada para colar o nariz de tucano, na foto e leia mais aqui), cola escolar, glitter, caneta permanente para marcar o olho, nariz e sobrancelha.” Pergunto se funciona. “Não sai e nem escorre.”

A primeira foto, da esquerda para direita, na fantasia para o Carnaval (2016), Cruella usou cola escolar, serpentina e confetes. Na outra, para o nariz de tucano, ela usou papelão e cola Super Bonder.

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“Pra mim, ela (a Cruella) não é uma personagem. Eu e ela somos a mesma pessoa. Ela é minha e eu sou dela. Eu sou artista e musa ao mesmo tempo. A Cruella é um desejo de ser famosa e se isso acontecer, não vai mais existir Cruella, vou me transformar em outra coisa.”

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