O cinema está presente dentro da votação do impeachment pelas mãos de cineastas mulheres

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Cineasta Anna Muylaert

Felizmente, pode-se dizer que o cinema brasileiro sempre retratou temas políticos de forma sincera, e muitas vezes crua. Os filmes sobre o período terrível da ditadura militar estão aí para provar isso. É por isso que há algum tempo três cineastas brasileiras estão coletando imagens e trabalhando com informações acerca de um acontecimento chocante da democracia brasileira: o impeachment da presidenta eleita Dilma, a entrada de um governo provisório por Michel Temer, as votações vergonhosas, e a derrocada de uma direita descarada e que tá se lixando pro nosso voto.

As cineastas Petra Costa, diretora de “Elena” e “Olmo e a Gaivota”, e Maria Augusta Ramos, de “Futuro Junho”, divulgaram uma carta no dia 27 de agosto ao serem acusadas de estarem militando pelo PT durante as filmagens das cenas do filme que estão sendo produzidos em pleno acontecimento político. A acusação veio de senadores da oposição à Dilma, que não gostaram da presença delas dentro das sessões. Algumas matérias de jornais endossaram isso. Mas elas continuam por lá, doa a quem doer.

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Cineasta Petra Costa

“Somos cineastas e nos dedicamos à produção de documentários. Um momento político de relevância histórica ímpar como o que vivemos, obviamente, desperta o interesse de quem tem no registro da realidade uma paixão e um ofício. (…) Realizamos produções independentes. Exploramos a realidade, as diferentes perspectivas de cada fato. Nossas produções não estão a serviço de partido algum. Buscamos registros de representantes de todos eles, seus diversos pontos de vista, a atuação pública no processo”, disse a carta.

A cineasta Anna Muylaert (de “Que Horas Ela Volta?”) também está por lá. Arcando com os custos e fazendo de forma independente, ela acompanha o processo que Dilma está sofrendo desde julho, quando a presidenta foi afastada. Anna também foi acusada pelos senadores de estar fazendo isso pelo PT.

O cinema incomoda. Mulheres fazendo cinema dentro da política mais ainda.

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Daiane “Lyra” Libero é jornalista de cultura e cinema em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.