O inverno chegou e tem gente precisando de você, sabia?

sp_inverno2
O inverno começa oficialmente em 21 de junho, mas antes mesmo dele chegar, São Paulo já registrou a temperatura mais baixa para o mês nos últimos 22 anos. No dia 13, a metrópole marcou 3,5°C, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia.

E o frio intenso veio acompanhado de muita polêmica. Apenas em junho, o Instituto Médico-Legal contabilizou a morte de 25 moradores de rua. Tais óbitos foram noticiados pela imprensa associados à hipotermia.

A instituição, contudo, afirma que a causa mortis dos 113 mendigos que faleceram no decorrer do ano não tem relação com a baixa temperatura; todos teriam sinais e sintomas compatíveis com doenças prévias, como patologias graves, cardíacas, hepáticas e renais.

Os moradores da cidade, porém, não parecem muito convencidos com os dados fornecidos pelo IML. Uma reportagem realizada pelo portal G1, em 15/06, também mobilizou os paulistanos a voltarem suas atenções aos moradores de rua.

sp_inverno4

O site publicou um vídeo com imagens da Polícia Militar e Guarda Civil Metropolitana apreendendo carroça de uma indigente. Na mesma semana, outros veículos coletaram depoimentos de mendigos dizendo terem seus pertences pessoais, utilizados no combate ao frio, tomados por guardas e policiais.

Uma vez que o prefeito Fernando Haddad não havia se pronunciado oficialmente, as pessoas passaram a se unir em solidariedade aos indigentes. É bem provável que você tenha se deparado com alguma publicação de um conhecido nas redes sociais encabeçando campanha e/ou mutirão de doações.

Sábado passado (18), a prefeitura publicou um decreto do Diário Oficial do município anunciando que poderá recolher camas, sofás e barracas de moradores de rua que caracterizem estabelecimento permanente em local público e atrapalhem a livre circulação de pedestres e veículos.

O documento se opõe aos excessos supostamente cometidos pela GCM e visa regulamentar ações da zeladoria urbana sobre o que pode e o que não pode ser recolhido de moradores de rua. Com o intuito de evitar que os mesmos montem habitação em praças públicas, mas sejam respeitados como cidadãos, estipularam-se medidas de condutas a serem seguidas pelos guardas.

sp_inverno3

As apreensões devem ser realizadas, preferencialmente, de segunda a sexta, das 7h às 18h. Pertences pessoais (documentos de qualquer natureza, cartões bancários, sacolas, medicamentos e receitas médicas, livros, malas, mochilas, roupas, sapatos, cadeiras de rodas e muletas), instrumentos de trabalho (carroças, material de reciclagem, ferramentas e instrumentos musicais) e objetos portáteis considerados essenciais para a sobrevivência deles (papelões, colchões, colchonetes, cobertores, mantas, travesseiros, lençóis e barracas desmontáveis) não poderão ser apreendidos.

A fim de garantir o respeito e apoio aos moradores de rua, as ações contarão com grupo de monitoramento formado por representantes das secretarias municipais de Direitos Humanos e Cidadania, Assistência e Desenvolvimento Social, Segurança Urbana, Saúde, Coordenação das Subprefeituras, além de integrantes do Comitê Intersetorial da Política Municipal para a População em Situação de Rua (Comitê PopRua), membros da Defensoria Pública e do Ministério Público Estadual (MPE).

Quanto aos casos registrados pela imprensa, de infrações cometidas pelos membros da GCM e PM, o prefeito garantiu que os profissionais serão alvos de processos administrativos e disciplinares, tendo todas as denúncias recebidas pela população investigadas.

Na ocasião, a prefeitura também se manifestou publicamente quanto à Operação Baixas Temperaturas, que visa ampliar o atendimento aos indigentes durante a fria temporada. Quatro tendas de acolhimento, com capacidade para 250 ocupantes cada, estão sendo montadas no Anhangabaú, Glicério, Moóca e Sé.

sp_inverno

A cidade conta com 79 pontos de recebimento para mendigos (albergues) e nem todas as vagas são ocupadas. Uma das razões é o fato de não ser permitida a entrada e/ou permanência de animais. As novas tendas, contudo, permitem a estadia de cães e gatos junto aos seus donos – e conta ainda com equipes de saúde e controle de zoonoses.

De acordo com o último censo da prefeitura, São Paulo tem 15.900 pessoas em situação de rua. Apesar de medidas temporárias como as tendas serem de bom grado, os mendigos não se concentram apenas na região central e se em muitos casos nós, que pagamos impostos e temos o ‘aval’ para reclamar por nossos direitos acabamos penando nas mãos das autoridades, qual o poder de justiça dos que vivem às margens da sociedade?

Se existem pessoas que, ao invés de zelar pela segurança dos moradores da cidade, são capazes de retirar das mãos dos outros o cobertor; único escudo que muitos têm para combater o frio, qual nossa garantia de que os vulneráveis serão de fato respeitados por conta de um decreto apresentado pela prefeitura?

Na falta de políticas públicas, é a movimentação dos cidadãos que faz a diferença. E cabe a cada um de nós, sim, pressionar os políticos, bem como se engajar nas campanhas e causas sociais disponíveis.

sp_inverno5

Se quiser colaborar, uma opção é o Entrega SP, trabalho voluntário que arrecada alimentos, roupas e itens de higiene a serem distribuídos uma vez por semana, aos moradores de rua, na Praça Charles Miller.

Recentemente, o Convento São Francisco abriu as portas de suas dependências para acolher os mendigos. A casa também encabeça uma campanha de arrecadação de sabonetes, creme dental, escova, aparelho de barbear e shampoo. As doações podem ser entregues no Largo São Francisco, 133, na portaria do convento.

Neste caso, toda colaboração é bem-vinda. Existem outras instituições e pessoas voluntariamente se unindo para entregas de alimentos e doações. Caso sua rotina seja atribulada e/ou seus horários insanos, outras medidas podem ser tomadas: de levar consigo um agasalho, uma coberta ou uma marmita a ser entregue a algum morador de rua que encontrar pelo caminho.

Se você tiver tempo, disposição e bons amigos, pode ainda trocar mais uma noitada de balada insana por um programa diferente. Reúnam-se na casa de um de vocês, preparem um jantar quentinho e saiam às ruas para distribuí-lo. Não é preciso ir até o centro da cidade, rode pelo seu bairro mesmo.

sp_inverno6

Uma refeição recém-preparada é maravilhosa? Com certeza, mas vale lembrar que, assim como você não se alimenta apenas uma vez ao dia, as pessoas têm fome e sede. Um pacote de bolacha doce e outro salgado + uma garrafa de água mineral serão recebidos com a mesma satisfação.

Agasalhos e cobertas são itens recebidos e doados com mais facilidade. Acontece que o inverno na terra da garoa é marcado por chuvas fortes e quem vive nas ruas se molha. Se possível, separe meias, cachecóis, toucas e luvas.

Sacos plásticos grandes – aqueles pretos, de lixo – servem para cobrir o corpo evitando a umidade e funcionam como isolante térmico. Fraldas de pano ajudam os bebês e crianças, absorventes todas as mulheres necessitam mensalmente. Se estiver sobrando uma graninha na carteira, é com pensar nisso.

Não podemos nos esquecer dos bichinhos, fieis escudeiros dos andarilhos. Rações podem e devem ser doadas também.

E que essa movimentação da galera em fazer o possível pelo bem estar do próximo não seja apenas temporária. A corrupção e o descaso político é uma realidade vergonhosa mundo afora. Unir-se em prol de melhorias faz toda a diferença. Já cantava Raulzito: ‘Sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade’.

sp_inverno7

OBS.: O texto acima retrata dados e realidades de São Paulo. No entanto, as sugestões são válidas para qualquer localidade. Obviamente que nem todo mundo tem condições financeiras para arcar com as necessidades emergenciais dos moradores de rua. A ideia é apenas demonstrar as possibilidades variadas de contribuição, incentivar a solidariedade e deixar que sua criatividade e disponibilidade te motivem a fazer o que lhe cabe! <3

Comentários

Comentários

Adele Grandis: Taurina com ascendente em touro - isso explica muita coisa!