É Golpe sim, e agora?

Este texto estava cozinhando nas últimas semanas. Eis que hoje, com a conversa do Jucá, que está em todos os jornais (alguns deforma mais tímida), eu resolvi sentar e escrever o que vem incomodando a cabeça nessa história toda de golpe. Porque, bom, é golpe. Não trataremos como impeachment essa manobra que afastou Dilma da presidência. É golpe e ponto.

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Por Caio Gomes – Disponível no Facebook

Falando em Dilma, os deputados se sentiram ofendidíssimos, espiem só, com a presidenta eleita ter chamado o golpe de golpe. Pediram que ela explicasse. Bem, se Jucá não tivesse explicado direitinho o que é golpe, eu ajudaria com a seguinte definição: Estão deixando a presidenta eleita trabalhar? Não. Por quê? Porque não é do interesse político, e não de interesse social, que ela trabalhe. Pra quem? Para os outros políticos eleitos, que manobram formas de afastá-la, não sem antes emperrar a governabilidade com a mídia e ações de ética duvidosa. Isso é Golpe: Não permitir que o governo governe. Chegando ao ponto de depor o governo. Independente de legalidades, ou não. Porque a lei e o judiciário são, como todas as instituições, dignas de desconfiança (debatemos o Judiciário lá no meu canal antes do golpe, inclusive).

Agora, golpes são ruins? Não sei, golpes são ações. Entenda: eu quero que haja um golpe no governo sem-voto de Michel Temer. Se entendermos o período de ditadura militar como governo legitimado (jamais legítimo), o que a militância tentou –em tantas frentes – era golpe. Ou seria revolução? Bom, depende do ponto de vista de quem escreve a história e dos sujeitos envolvidos. O golpe, sofremos; a revolução, fazemos.

Dito isso, temos um golpe em andamento no Brasil em defesa dos interesses empresariais, fascistas, conservadores e neoliberais. Bastava olhar a “ponte para o futuro” do PMDB para saber que, se existe futuro do outro lado da ponte, ele pede pedágio. Está cada vez mais visível, esfregado nas nossas caras. Não podemos acreditar na grande mídia e podemos confiar em poucas pessoas. E agora, Maria?

Por Vitor Teixeira – Disponível no Facebook

Agora duzentas coisas. Eu vou sugerir uma, para poder focar nela. Agora, amadas, nos politizamos. Pode parecer estranho sofrermos um golpe jurídico-parlamentar e estar falando de política, mas é justamente nessas horas que a reação precisa, também, vir em forma de política. E isso inclui entender política.

Entender no sentido de aceitar algumas coisas e repensar tantas outras. Entender no sentido de lutar por sua validade. Entender para poder ensinar e ser um polo multiplicador. Entender que não será possível encontrar um Partido ou representante que defenda todos os seus interesses, porque você é um. Partidos e representantes não trabalham no um, trabalham no todo. E que tudo bem. Porque se for um partido que defende o seu interesse de participar do debate político, você vai poder contestar o que não lhe agrada. Estranho, né? Se chama democracia plena.

O sistema é bom? Não é bom. E grande parte dos seus problemas vem dele não ser democrático e justo, pois continua nas mãos de quem dispõe de grana e influência. Só que somos mais que grana e influência, somos pessoas. E LGBTs, mulheres, negros e indígenas somos também força de resistência. Somos também e principalmente o povo. E eu me recuso a acreditar que o povo é passivo e estéril de ideias. Não engulo essa.

Então, meus amores, é hora de buscar informação. Pesquisar nos perfis políticos quem você prefere dando seguimentos a políticas públicas. Todos os possíveis caminhos, não os que têm tempo de TV. Ler propostas políticas, não ouvir discursos. Não pensando apenas no seu umbigo, mas lembrando do macro de cidade, de estado e de país. Buscando quem pode repensar as lógicas vigentes, mesmo que aos poucos, e retorcer o sistema ao nosso favor. E esse nosso é o todo, nunca o um.

É golpe sim. Vai doer e ser muito difícil. Já estão em andamento medidas que sacrificam o povo e colaboram com bancos e empresas. O presente é aterrador, e o futuro será de luta, mas não de luto.

É golpe, sim.

E ninguém vai nos segurar.

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Melissa L'Orange é drag queen, nerd, professora, escritora amadora, jogadora de LoL sofredora. Toda natural, bonita pra caramba, peito duro sem estria e carro zero.