O melhor da São Paulo Fashion Week – Verão 2017

Na última semana, as principais marcas nacionais apresentaram suas coleções verão 2017 durante a São Paulo Fashion Week – maior evento de moda brasileira. Selecionamos os estilistas que fugiram do mais do mesmo e inovaram na passarela. Confira:

:: Fause Haten ::

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Fause Haten está cada vez mais artístico e seus desfiles nas últimas edições da São Paulo Fashion Week são ótimos exemplos de sua vertente performática. Desta vez, apostou em bonecas em tamanho natural com o rosto de Marlene Dietrich – principal fonte de inspiração da coleção, que também é baseada na música ‘La Vie en Rose’ e ocorreu como primeira performance da série ‘Lili Marlene – Um Risco’, criada pelo estilista, que tem duas personagens centrais: a diva hollywoodiana e Lili, uma transformista.

Ricardo dos Anjos foi quem idealizou cor e corte das perucas, bem como maquiou as manequins, que foram manipuladas por atores durante a apresentação dos 13 looks femininos. Nove produções masculinas foram utilizadas por bailarinos de diversas companhias que performaram durante o desfile – ao som de piano ao vivo e com uma versão em português de ‘La Vie em Rose’ entoada pelo estilista.

Jacquards, jeans, lurex, malha bordada de cristais, moletom e tecidos vintage são predominantes na coleção que mescla referências dos anos 20 (como as franjas e ombros estruturados), 70 (vide pantalona e casacos degradê) e 80 (conjunto rosa com dourado claro de jacquard de pied de poule com spencer volumoso e saia balonê).

:: Isabela Capeto ::

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O tempo é abordado em diferentes vertentes na temporada de verão de Isabela Capeto: o ritmo desenfreado no qual vivemos, a contraposição de fast e slow fashion… O desfile revelou, tendo como trilha sonora Björk e Poolside, peças bem trabalhadas à mão.
São vestidos com mini flores de organza (recortadas, pregada e bordadas), saia com aplicações de canutilhos aplicados e looks com bordados enormes que simulam um camuflado.

:: João Pimenta ::

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A abertura do desfile ficou por conta de quatro para-atletas medalhistas de ouro: Elizabeth Rodrigues Gomes, campeã de arremesso de peso e lançamento de dardo, em sua cadeira de rodas, a corredora e saltadora com deficiência visual Silvania Costa de Oliveira acompanhada pelo guia Wendel de Souza Silva, o corredor e saltador Mateus Evangelista Cardoso; que nasceu com paralisia cerebral e do lançador de disco e de dardo Claudiney Batista dos Santos; que não tem uma perna.

A inclusão seguiu forte durante toda a apresentação: do som, ao vivo, da orquestra baiana do projeto Neojiba (que ensina pessoas de baixa renda a tocarem e confeccionarem seus instrumentos com plástico) aos looks masculinos repletos de referências femininas (corsets, modelagens justinhas, babados, bordados, saias, vestidos…).

Até mesmo a inspiração da linha é inclusiva; a fim de abordar a criatividade e oportunidades do momento de crise, o estilista apresentou peças confeccionadas com materiais recicláveis – como tecido de rede e tear de fitas de VHS; para a confecção de jaquetas metalizadas.
João Pimenta propôs um streetwear couture com forte apelo de alfaiataria através de um styling livre de preconceitos. São roupas verdadeiramente versáteis e inteligentes, capazes de vestir igualmente homens e mulheres graças às modelagens e recortes que permitem a adaptação das peças de acordo com o gosto pessoal de cada um.

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:: Ronaldo Fraga ::

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Ronaldo Fraga adora usar as roupas que cria para passar mensagens a quem confere seus desfiles, que acabam funcionando como contação de histórias. Desta vez não foi diferente, claro! Uma viagem de dois meses que fez no ano passado, para a África, foi sua principal inspiração para a nova coleção – uma crítica à intolerância às diferenças, em especial, aos refugiados que embarcam em países europeus em busca de oportunidades de sobrevivência.

Inclusive, o estilista convidou alguns refugiados reais para desfilarem as peças uma vez que ninguém melhor que as pessoas que partem de sua terra natal apenas com a roupa do corpo para poder explorar com veracidade e emoção a temática que abordou na passarela.

Em sua maioria estampadas com ilustrações do mineiro, as roupas têm tecidos leves como algodão, gaze, linho, linho amassado, seda e tule com aplicações de flores e paetês.

:: Triya ::

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Sendo ‘Feminitude Solar’ o tema da coleção, um trecho de um texto da filósofa francesa Paule Salomon (‘Toda mulher está grávida de um sol’) resume muito bem a proposta das peças apresentadas durante o desfile no qual a lycra divide espaço com a microfibra, seda, veludo e aplicações em cobre.

Looks ousados, com super cavas asa delta e bumbum à mostra trazem estampas que referenciam o deserto, o céu e a força feminina através de signos como a lua e a serpente – resultando em uma imagem étnica que enfatiza a feminilidade e o poder feminino.

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Adele Grandis: Taurina com ascendente em touro - isso explica muita coisa!