Du Club’s: Conheça Bian, carioca com voz suave fala sobre questões de sexualidade e referência

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Logo quando A Coisa Toda nasceu (Outubro/2015), a minha coluna seria uma das primeiras a acontecer, pois acreditamos que falar diretamente e colocando a cara a tapa funciona tudo fica muito mais fácil. Mas muita coisa aconteceu e só agora lanço a coluna “Du Club’s” onde tratarei de cultura pop (e não tão pop assim) em primeira pessoa, com todos os meus pitacos em música, cinema, drag queen, vida clubber e alguns outros assuntos.

Para começar vou falar de uma artista nacional que conheci quando ainda editava o site de música brasileira RockInPress.  Na época ela assinava como Bianca e estava dando seus primeiros passos na carreira e lançava as canções “Chained” que esteve na trilha da novela Malhação e “What If” em Verdades Secretas (ambas da TV Globo).

BIAN Web

De lá para cá algumas coisas se transformaram, agora preferindo apenas assinar como Bian, a cantora carioca lança um novo single, que representa o amadurecimento de um processo que transcorre por alguns anos, e se concretizará em seu primeiro álbum com previsão de lançamento ainda para esse ano.  O single “Hands” tem influência de The XX, Alt-j, Lykke Li e mostra uma nova faceta que eu ainda não conhecia em Bian.


Para conhecer um pouco melhor esse novo momento na carreira e vida de Bian conversamos em um bate bola rápido:

 

ACT: Apesar de melodicamente suas músicas ainda se conectam, apesar da clara mudança nas batidas. Como foi essa mudança de Bianca para Bian?

Foi um processo natural de amadurecimento como artista. No momento quando tranquei psicologia e comecei a estudar produção musical, na Berklee, minha relação com a música mudou. Comecei a ouvir música de outra forma. Foi um divisor de águas pra mim começar a produzir e colaborar com outros produtores musicais, como o Guto Guerra. Alem de compor, produzir me permite chegar à sonoridade que eu quero. A imersão é muito maior. Além disso, comecei a ouvir outros artistas que me influenciaram a mudar minha identidade musical como artista.

 

ACT: Esteticamente você também mudou, você parece mais sóbria e andrógina, isso tem a ver com a sua mudança pessoal?

Sim, com certeza. Nunca me senti tão feliz e verdadeira quanto ao trabalho que estou construindo com a Gomus Music, selo com o qual trabalho,  e com colabores externos, como Fábio Santos e Nenno, diretores do lyric vídeo de Hands. A equipe é maravilhosa.

 

ACT: Quais artistas Queers brasileiros que você admira? Sente vontade de alguma parceria com algum deles?

Admirava a Cássia Eller. Gosto também da Lanlan, ótima percussionista. Acho o trabalho de drags brasileiras, como o Pabllo Vittar, muito importante para a visibilidade gay, trans, travesti e drag. Consegue nos tirar do “submundo” no qual somos enfiados de maneira divertida e, ao mesmo tempo, com muita representatividade.

 

ACT: Você tem apenas 21 anos, como foi a tomada de atitude de falar sobre ser lésbica abertamente e tomar disso um posicionamento?

Como artista e como pessoa, quero viver da maneira mais verdadeira possível. Falar sobre isso é muito importante. Sei disso porque vivi na pele a experiência de crescer com poucas referências lésbicas e compreender que não tem nada de errado em ser o que se é.

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DUDX é editor-chefe da A Coisa Toda, artista, comunicador e produtor cultural.