O erotismo da Anatomia do Fauno em cartaz em São Paulo

Polêmico, performático e profano, a ‘Anatomia do Fauno‘ causou burburinhos pela cena LGBT e underground de São Paulo. A peça, sem diálogos, traz a maioria dos atores em cena nus e bebe nas inspirações do poeta francês Arthur Rimbaud, os escritos de Judith Butler, até passar por Lady Gaga, Björk e a coreografa alemã Pina Bausch.

A peça critica, ao mesmo tempo em que questiona, realidades como o pink money e a maneira como consumimos sexo atualmente.

anatomia do fauno

O espetáculo, uma realização Laboratório de Práticas Performativas da USP e Teatro da Pomba Gira Coletivo de Criadores/Residência SP Escola de Teatro, ficará em cartaz todos os finais de semana a partir deste sábado, encerrando a temporada no dia 15 de maio. As sessões rolam às 23h aos sábados e às 19h aos domingos. Os ingressos custam R$ 40.
A SP Escola de Teatro, sede Roosevelt, fica localizada na Praça Franklin Roosevelt, 210, Centro.

Nós conversamos com um dos diretores do espetáculo, Marcelo D’Avilla, que nos contou mais sobre a peça:

Como foi o processo de criação do espetáculo?
ADF: Partimos de uma pesquisa, onde buscamos todos os tipos de interessados em falar sobre o tema do homoerotismo. Fizemos treinos e experimentos por meses, cada atuador levava suas experiências para as ações. A partir disso, nos unimos ao dramaturgo e desenhamos/costuramos as histórias. Então pudemos identificar os eixos do trabalho, da pesquisa ali erguida. Criamos jogos que hoje se dão como cenas para o público. Tudo ali é de alguma forma vivido e real para o performer/atuador em cena.

Qual foi sua contribuição pessoal para a peça?

ADF: No caso de quem dirige, seja eu ou o Denny, nossa contribuição foi total. Nós produzimos, financeiro, falamos e coordenamos uma equipe de 50 pessoas. Articulamos todo o projeto do começo ao fim. Eu, D’Avilla, ainda atuo e minha contribuição é física também, além de muito do que executo em cena está em um registro de algo vivido já por mim, algo de minha mitologia pessoal, que me atravessa ao ponto de reviver em cena.

Além da declarada inspiração na obra do poeta Rimbaud, quais foram as outras inspirações para a criação das performances?

ADF: As inspirações são variadas, bebemos de todas as fontes que permeiam o universo de cada um. Temos atores, bailarinos, advogado, agrônomo… nossos atuadores são de vivências diferenciadas, e como tudo partiu de um universo muito pessoal, muitas referências foram cruzadas. De Abramovic a Madonna e a uma infinidade de artistas, tanto da moda, quando do teatro, performance ou literatura.

 Eu particularmente amei a trilha sonora, pode nos contar sobre?

ADF: A trilha foi composta por Renato Navarro, e é totalmente original. Renato foi um parceiro que nos surgiu e nos ouviu de peito aberto. Passamos milhares de referências para ele para as cenas, e ele acompanhou cada cena e assistiu tudo. O processo foi doando para ele as dicas, e ele com sua mágica fez um trabalho impecável. Que mescla tudo o que bebemos e um pouco mais. É tão boa que estamos até vendendo CD!


No dia que eu assisti a peça acompanhei vocês durante o preparo para encenação do dia, vocês ouviram Beyoncé ‘Crazy In Love’ para o aquecimento, o que mais vocês gostam de ouvir para se soltar?

Eu que propus Beyoncé e a cada dia eu levo algo diferente, sempre algo atual e descontraído para desligar um pouco a chave da tensão pré-entrada. Afinal é uma hora e meia de trabalho físico ininterrupto, o cérebro precisa estar atento e leve, senão o corpo não aguenta. Vale de tudo, de tecnobrega a diva pop.

Leia o resto da entrevista em Disco Punisher.
Fotos: Hélio Beltrânio
Por: Rodrigo Stuck e Alisson Prando

Comentários

Comentários

Dudx é Editor-chefe de A Coisa Toda, comunicador e produtor focado em cultura, além de artista visual.