Já pensou em tirar um ano sabático de seu relacionamento?

March 12, 2015. Los Angeles, California.  Author Robin Rinaldi, who has written a memoir "The Wild Oats Project" about how she spent a year in an open marriage, having sex with various different men, as a way of finding sexual fulfillment as a woman. Robin is pictured with her dog, Tengo. Photo Copyright John Chapple / www.JohnChapple.com /
Aos 44 anos, Robin Rinaldi tinha uma carreira de sucesso como editora de uma revista e 18 anos de casamento satisfatório com Scott. A crise da meia idade, porém, bateu forte; ela sentia a urgência em ser mãe, enquanto ele optou pela vasectomia. Considerando que seu marido ela livre para fazer as próprias escolhas, independente de sua opinião, ela quis o mesmo para si e propôs um ano sabático ao relacionamento.

Eles teriam doze meses para fazer sexo com quem bem entendessem de segunda à sexta-feira, reservando os finais de semana para desfrutarem da companhia um do outro – considerando apenas três regras: usar preservativo em todas as relações, não dormir com nenhum amigo e não ter mais de três encontros com a mesma pessoa.

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Scott aceitou a proposta e continuou na casa do casal, enquanto Robin optou por ir à busca de suas experimentações sexuais e retornar ao lar aos sábados e domingos. Essa trajetória é retratada em ‘The Wild Oats Project’, um misto de ’50 Tons de Cinza’ com ‘Comer, Rezar, Amar’.

O livro tinha tudo para ser ‘ruim’, mas dá certo graças às declarações íntimas e verdadeiras da autora, que por um lado demonstra empoderamento feminino e por outro toda sua vulnerabilidade e submissão, sem medo de parecer boba, dispensando preocupações em julgamentos de seus leitores.

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Em uma das passagens, um amigo de longa data a questiona quanto à relação entre a maternidade e a busca por experimentações sexuais. ‘Vou sentir que vivi, que não passei a vida em uma caixa. Se eu tivesse filhos e netos ao redor de minha cama antes de morrer, não precisaria disso. Crianças são a prova que você viveu’, responde.

Em um ano Robin teve doze parceiros (incluindo um encontro lésbico e um threesome), incontáveis realizações sexuais e grandes conhecimentos do próprio corpo. Recorreu aos anúncios procurando por parceiros sexuais entre 35-50 anos no Craigslist e Nerve.com (o Tinder não existia à época), teve aulas de sedução e auto-prazer com Regena Thomashauer – conhecida como Mama Gena – na School of Womanly Arts em Nova Iorque e morou na OneTaste, uma comunidade urbana de São Francisco onde ‘pesquisadores especialistas’ metodicamente realizam sessões de meditação orgásmica todas as manhãs, durante 15 minutos, nas mulheres.

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Através de sua jornada espiritual-sexual, Robin recebeu bons conselhos de sexo oral de um cara com a metade de sua idade, descobriu gostar de fantasias submissas, sentiu consecutivamente aflorar sua sexualidade feminina e masculina ao transar com outra mulher e ouviu frases triviais que levantaram sua autoestima; como ‘Seus seios são maravilhosos’ e ‘Algo acontece quando estou com você’.

Nesse período que fora como uma montanha-russa de sentimentos e sensações, sempre recorreu ao marido quando a vulnerabilidade aflorava – em mensagens de texto ou quando algo de ruim lhe acontecia. E lá estava Scott, à disposição. Provavelmente outros companheiros não teriam tamanha paciência e/ou consideração em compreender as instabilidades da esposa.

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Em muitas passagens do livro vem o questionamento se a autora realmente partiu em busca do próprio prazer ou se não a fez apenas como forma de se vingar do marido. Robin, inclusive, acabou quebrando duas das regras que impôs; transou sem camisinha e acabou se envolvendo.

Robin parece perdida, mas quem nunca se sentiu assim? Demora até ela perceber que o autoconhecimento poderia vir através de qualquer outra atividade que não envolvesse sexo. Ela poderia pintar, viajar ou optar pelo silencio contemplativo, mas decide transar. Uma escolha nada ortodoxa considerando suas condições.

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No entanto, as descobertas surgem. Tanto àquelas que dizem respeito as suas necessidades e vontades sexuais, como outras mais pessoais e profundas – como uma infância abusiva por conta de um pai alcoólatra, que ela descobre a influencia que isso teve no decorrer de sua vida adulta.

Talvez a escolha sábia dos parceiros com quem se envolveu tenha contado pontos positivos. Os encontros se deram com pessoas que, assim como ela, eram místicas, engajadas em questões femininas e/ou estudantes de sexualidade. Nada foi em vão e nem por acaso.

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E o final da história passa longe dos contos de fadas. Afinal de contas, quem disse que uma trajetória de autodescoberta significa felicidade? Scott se cansa! Ao se tornar autossuficiente, Robin, obviamente, passa a se importar menos com ele. ‘Você sabe quantas noites eu chorei até dormir quando você se mudou?’ – ele pergunta a ela.

Robin não sabe e nem poderia saber. O que ela sabe, mesmo sendo difícil de aceitar, é que ele tem razão em optar pelo divórcio. A química se foi. Em quase duas décadas de casamento eles nunca acordaram no meio da noite para transar. Ele nunca falou putarias para ele, jamais arrancou suas roupas e nem olhou em seus olhos enquanto faziam sexo.

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Ela jamais se questionou quanto essas coisas que já estava habituada, mas a experimentação fez com que descobrisse que não era assim que gostaria que as coisas continuassem. Porém, não pode exigir dele satisfazer a todas suas vontades, bem como não quer permanecer submissa a tais condições.

Dilemas; não apenas sobre sexo e casamento, mas sobre o preço e a possibilidade de se auto-reinventar. Ansiedades comuns a qualquer mulher moderna: o medo da solidão, o tédio da monogamia, as pressões do relógio biológico, o marido que não quer ter filhos, um casamento sem paixão…

Quando o livro chega ao fim, impossível não se perguntar o que o ex-marido pensa em ver detalhes explícitos de seu casamento e vida sexual, além de narrativas confessionais do sexo entre sua então mulher com outras pessoas.

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Ele me disse: ‘Você tem de escrever. Se escrever bem, não será sobre nós, será sobre muitos casamentos’. Penso que uma das coisas mais poderosas que podemos fazer como mulheres é tirar vantagem de nossa própria sexualidade, explorá-la e falar a verdade sobre isso. Mais do que sermos enquadradas pelas indústrias da pornografia e publicidade, é hora das mulheres contarem suas próprias histórias sobre sexualidade. Espero que meu livro seja apenas um passo nessa direção’, foi o que a autora respondeu em entrevista ao New York Times.

Se você ficou interessadx no The Wild Oats Project, a Livraria Cultura tem o livro para vender e rola de fazer a encomenda aqui.

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Adele Grandis: Taurina com ascendente em touro - isso explica muita coisa!