Você achou graça no vídeo pornô gay que vazou na Record?

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Para quem não sabe, o ‘Fala Que Eu Te Escuto’ é programa televisivo produzido pela Igreja Universal do Reino de Deus e apresentado ao vivo na Rede Record, no início da madrugada. Diariamente, temas da atualidade são debatidos por bispos e pastores da IURD. Diferente da programação habitual das igrejas, ao invés de pregação, a atração traz à tona uma temática atual que é debatida no ar, via telefone e videoconferência, com os espectadores.

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Quem participa tem a oportunidade de demonstrar seu ponto de vista sem interferência dos apresentadores e sem qualquer tentativa de conversação. Em casos que cabem, obviamente, os bispos ou pastores apenas sugerem a presença da pessoa a determinado culto específico da igreja.

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O fato de ser ao vivo e interativo faz com que seja alvo constante de trotes, exatamente o que aconteceu na edição da última quarta-feira (23), quando o assunto eram os atentados terroristas ocorridos na Bélgica (que vitimou fatalmente 40 pessoas e feriu cerca de 150 no aeroporto de Bruxelas). A fim de saber a opinião de brasileiros baseados na cidade, Thiago Gilis, que trabalha na capital do país como garçom, foi convidado a comentar sobre os fatos. Participando via Skype, o rapaz trocou a imagem da conferência por um filme pornô gay, pegando o bispo (e os espectadores) de surpresa. Ágil, a produção cortou imediatamente o vídeo e encerrou a participação do cara.

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O apresentador se desculpou: ‘As pessoas acompanham o programa sabem que ele é sério, e infelizmente, um brasileiro que mora na Bélgica fez essa coisa ridícula, lamentável, num programa sério’. Não demorou a que as cenas caíssem na rede, bem como um print de uma publicação de Thiago em seu Facebook, sete horas antes de entrar ao ar, dando indícios do que estava por vir. Quase cinco mil pessoas curtiram tal postagem. Um número bem maior compartilhou o vídeo aprovando a ‘brincadeira’.

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Abaixo, uma carta aberta ao Thiago Gilis, de quem achou sua ‘piada’ muito dá sem graça:

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Thiago, considerando a ‘brincadeira’ que você vez presumo que não tenha religião alguma, bem como respeito. Eu não sigo nenhuma doutrina específica, mas recebi educação e sei ser tolerante com as diferenças.

Sua participação no programa foi de extremo mau gosto, faltou – e muito – timing para a sua ausência de humor. Primeiro porque você não teve o mínimo de consideração pela tragédia sobre a qual deveria dar sua opinião.

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Pessoas inocentes foram feridas e morreram justamente por conta da intolerância religiosa. Talvez você sequer saiba que foram vitimadas por jihadistas – ou muçulmanos que entendem a luta violenta como necessária para erradicar obstáculos para a restauração da lei de Deus na Terra e, assim, defender a comunidade muçulmana; conhecida como umma, contra infiéis e apóstatas (pessoas que deixaram a religião).

Então, você pode ser oposto às crenças cristãs, mas não há como negar que um programa ‘crente’ se mostrou muito mais aberto e inteligente que você ao dar espaço para o diálogo sobre outras religiões, sem impor a própria como superior, e se mostrar disposto a ouvir pontos de vistas de terceiros.

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Além disso, sei lá eu quanto a sua sexualidade, mas enquanto você acha graça em expor um filme pornô que não serve de nada além de denegrir ainda mais a imagem dos homossexuais perante uma religião que considera a homossexualidade como ‘enconsto’, muitos gays sofrem cotidianamente; de pressões sociais às agressões físicas, apenas pelo fato de se relacionarem com pessoas do mesmo sexo.

São pessoas que necessariamente não expõem a sexualidade em público, não ferem honra e moral de ninguém, mantém suas preferências íntimas em privado e acabam sendo associadas ao bizarro, tratadas feito aberrações, justamente por atitudes de desavisados feito você.

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Temos hoje uma bancada evangélica extremamente forte e potente ditando as normas da nossa sociedade. Enquanto eles usam de passagens bíblicas para enfatizar que família é formada por uma mulher e um homem, que aborto é crime por ser contra a lei da vida, dentre outras tantas coisas, temos a sociedade real, composta por gays que lutam pelo direito de poder ter suas relações reconhecidas e a adoção viável, mulheres morrendo em tentativas clandestinas de interromperem suas gestações.

Há quem veja a homossexualidade como homossexualismo, doença, anormalidade. Há quem enxergue mulheres em busca da autonomia sob seus próprios corpos como vagabunda, puta. Na última Parada Gay de São Paulo, Viviany Beleboni conseguiu fazer uso da religião de forma inteligente ao aparecer crucificada – representando a dor e a humilhação que os homossexuais sofrem todos os dias – e ainda assim foi ameaçada de morte.

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À parte estar na cruz, como Jesus e como boa parte das pessoas àquela época cumpriam suas penas de morte (é importante relembrar que Jesus não foi o único crucificado na história), a atriz transexual não fez uso de obscenidades, confrontos e descrenças a nenhuma religião.

Certamente, creio eu, qualquer homossexual, bissexual ou simpatizante com as causas LGBT, também não acharam graça alguma na sua tentativa de ser engraçadinho. Você ultrapassou uma linha tênue entre o engraçado e o desgraçado, um exagero de liberdade que só demonstrou libertinagem. 

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Existem tantas pessoas precisando, buscando e pedindo por igualdade e respeito, para terem visibilidade positiva e serem aceitas e tratadas como seres humanos. Tanta gente com um discurso bem preparado, que não consegue um espaço desses para se fazer ouvir. Tanta gente que, por atitudes feito a tua sofrem consequências sem ter culpa no cartório. 

Sinto muito por você e peço, encarecidamente: não sabe brincar? Não desce pro play!

:: Caso você não tenha visto o vídeo… ::

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Adele Grandis: Taurina com ascendente em touro - isso explica muita coisa!