E esse lance de moda livre de gêneros, hein?

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Quem poderia prever tamanha influência de um adolescente na urgência de marcas internacionais em reverem seus conceitos de produtos e ofertas? Jaden Smith conseguiu muito mais do que desassociar sua persona da fama dos pais, Will e Jada Pinkett-Smith. Graças ao seu estilo próprio e muita personalidade, apesar de ter apenas 17 anos, o jovem tem contribuído para que o universo fashion volte suas atenções às roupas sem gênero.

No decorrer de 2015, o menino foi manchete constante e alvo de paparazzi sedentos por cliques que revelassem seus looks nada convencionais. Ora aparece de terno e gravata, ora de vestido ou saia. E é com extrema naturalidade que ele demonstra sua rejeição às normas de gênero, especialmente no que diz respeito ao vestir.

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Capa da última edição britânica da GQ, Jaden explica: ‘Sinto que as pessoas são um pouco confusas quanto às normas de gênero. Parece que elas ainda não compreendem isso muito bem. Não estou dizendo que eu compreenda, apenas que jamais vi nisso nenhuma distinção. Não vejo as roupas como para mulher ou para homem. Apenas vejo pessoas assustadas e pessoas confortáveis’.

Sua fluidez para a moda lhe rendeu o convite para estrelar a nova campanha feminina da Louis Vuitton, que ele aceitou com todo apoio e incentivo da irmã Willow. E lá está Jaden, nas fotos de divulgação da linha, posando ao lado de modelos mulheres, com peças femininas da grife francesa.

Agender campaign. PHOTO MATT WRITTLE © copyright Matt Writtle 2014.

Mas antes mesmo da proposta surgir, seu modo de vestir já havia inspirado outras marcas; as lojas de departamento. No ano passado, a Target aboliu a distinção de sexo na classificação de seus brinquedos. Hoje são todos livres à escolha dos pequenos consumidores.

Também adepta à iniciativa, a Selfridges foi mais além e criou a ‘Agender’, uma loja pop-up em Londres, que durante poucos meses proporcionou aos clientes a experiência de comprar livre de gêneros.

A ambição era criar um espaço onde homens e mulheres pudessem, essencialmente, frequentar e comprar juntos, independente do sexo, fazendo suas escolhas com base em gostos pessoais. É algo bastante revolucionário para uma loja de departamentos. Você vai num setor infantil, por exemplo, e se depara com tudo segregado por cor; rosa e azul, meninas e meninos. Eis um conceito que vai contra essas regras’, explicou Faye Toogood, designer que desenhou todo o conceito da loja.

O vídeo de divulgação foi estrelado pela atriz, modelo e escritora transex Hari Nef e dirigido por Alex Turvey e Kathryn Ferguson. Modelos de idades, etnias e gêneros distintos fizeram do vídeo ainda mais espetacular, mas a Selfridges não deu continuidade ao projeto.

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Em compensação, sua concorrente Zara começou março anunciando ‘Ungendered’, uma linha com proposta inclusiva – seja nas modelagens, seja nos preços. A cadeia espanhola propôs roupas neutras de uso básico; como camisetas, moletons, regatas e calças jeans com preço máximo de US$50.

Acontece que a novidade não foi assim tão bem recebida, uma vez que a coleção consiste, basicamente, em itens populares no vestuário masculino que comumente também são utilizados pelas mulheres.

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Então a C&A aproveitou a estreia de ‘Velho Chico’, na Rede Globo, no dia 14, para lançar a campanha ‘Tudo Lindo e Misturado’. Rodado em duas locações do sul do Brasil, o vídeo mostra homens e mulheres nus, correndo para se vestir com peças de roupas aleatórias.

A trilha sonora, desenvolvida especialmente para o comercial, enfatiza a proposta de estimular os consumidores a misturarem cores e estampas, expressando seu estilo próprio e dando oportunidade ao novo e diferente.

Seria perfeito se a marca realmente abraçasse a causa, só que não é o que acontece. Apesar de uma campanha que diz ‘Misture, ouse, divirta-se… e então comece tudo outra vez’, no e-commerce da loja as peças estão classificadas entre femininas e masculinas e não há nenhuma sugestão de uso mais abrangente aos internautas consumidores – como homem usando um vestido, por exemplo.

Não podemos discordar que esses pequenos passos representem um avanço progressivo para o futuro de uma moda realmente mais democrática. As marcas, contudo, parecem estar um pouco perdidas nessas tentativas de transformação.

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Um vestir mais inclusivo não consiste, necessariamente, em desenhar peças essenciais, de poucas cores, que podem vestir homens e mulheres sem que a sociedade torça o nariz ou os questione pelas escolhas de roupas.

O papel social que tais marcas podem (e devem) cumprir, é informar a população sobre a liberdade de expressão através das vestimentas. Não há necessidade de rotular calças, vestidos e afins. Deveríamos ser livres para nos trajarmos da maneira que melhor nos representasse.

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Quem fez todas essas regras? Quem esteve aqui e fez tudo isso? Porque sou tão inteligente quanto eles e necessariamente não concordo com essa imagem estabelecida de vestir que temos hoje’, pontuou Jaden. A atriz e modelo Ruby Rose é outra que pensa de forma similar. Em entrevista à revista The Cut, no início do ano, declarou: ‘Quero que as pessoas saibam que elas não são diferentes de um jeito esquisito, são diferentes de uma forma que deve ser celebrada’.

Ou seja, moda democrática é mais sobre liberdade e respeito e menos sobre produtos sem graça que não representam a identidade e/ou estilo de ninguém. Não é preciso campanhas com valores exorbitantes, coleções especiais e afins. Que tal começar apostando na reformulação da estrutura da loja, trocando a segmentação de gêneros por araras separadas por peças? Que tal editoriais que mostrem as mesmas roupas usadas por elas e eles? Que tal departamentos infantis investindo em cartela de cor muito além do rosa e azul? Que tal ser um pouco mais Jaden?

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Adele Grandis: Taurina com ascendente em touro - isso explica muita coisa!