O quão difícil é ser homossexual na Rússia

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A homossexualidade era considerada crime na Rússia até 1993 (e doença mental até 1999). Legitimar a opção sexual das pessoas, porém, não foi uma vitória digna de comemoração, uma vez que a comunidade LGBT ainda sofre preconceito e represálias.

O Ministério da Saúde, por exemplo, acaba de propor uma nova regulamentação que prevê a criação de salas de exames ao redor do país especializadas no diagnóstico e tratamento de pessoas com ‘desordens de identidade de gênero e preferência sexual’, além da pedofilia.

A emenda é parte de um programa do governo voltado às desordens comportamentais e mentais.

Hospitais psiquiátricos e clínicas de cuidados primários terão de oferecer aos pacientes estrutura e equipe para a identificação de ‘problemas’ de desvio e desarmonia sexual – com médicos capacitados para diagnóstico e tratamento de crianças, adolescentes, adultos e idosos.

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Dependendo do caso, a pessoa poderá ter de submeter a tratamento forçado, ordenado pela corte – especialmente em casos de acuso de pedofilia.

Em janeiro de 2015, uma lei passou a proibir os transexuais a tirarem carteira de motorista. À época, outra proposta previa a punição dos russos que se declarassem homossexuais publicamente (rejeitada, contudo). Também se cogitou a proibição de adoção realizada por casais LGBT.

Caso fosse aprovada, a lei previa pena de até duas semanas de detenção para quem se declarasse homossexual. Demonstrações públicas de afeto entre gays e lésbicas resultariam em multa de $ 5 mil rublos – equivalente a cerca de R$250. Heterossexuais que apoiassem causas homossexuais seriam igualmente punidos.

O deputado Ivan Nikitchuk chegou a declarar que a Rússia preza pela consciência e honra, respeitando a família tradicional. ‘Desejos sexuais não convencionais não são nada, senão nojentos e anormais. Não faz sentido, biologicamente, não reproduzir. Isso é o mesmo que a morte. A homossexualidade é letal para a raça humana’.

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Em 2013, a ‘lei da propaganda gay’ passou a vigorar, proibindo no país qualquer tipo de propaganda física ou jurídica em apoio às causas LGBT. A organização Human Rights Watch considerou o feito como violação de direitos de gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros.

As multas para os nativos variam entre $ 4.000 e $ 1 milhão de rublos (R$ 270 a R$ 680 mil). Já os estrangeiros são penalizados com 100 mil rublos (R$ 2.700), podendo ser detidos por 15 dias e serem expulsos do país.

De acordo com um levantamento realizado pelo instituto Vtsiom, 88% dos russos apoiam a proibição da propaganda homossexual. Além disso, 54% acreditam que a homossexualidade deve ser punida.

À parte a pedofilia, classificada como doença pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a proposta tratar identidade de gênero e orientação sexual como enfermidade é um extremo retrocesso.

Russian Olympic Committee president: gay athletes won't face discrimination at Sochi - video

Uma recente enquete realizada pela organização independente russa Levada Center, revela que o percentual de pessoas que desejam a exclusão da população LGBT no país aumentou após o fim da União Soviética.

Atualmente, 37% da população russa acredita que os membros da comunidade LGBT deveriam ser isolados da sociedade. O resultado de hoje registra um aumento de 28 % em relação a 1989. 21% dos russos vão ainda mais além, declarando que os homossexuais deveriam ser liquidados nos dias atuais.

Infelizmente, enfrentando violência e repressão, sem qualquer garantia de proteção das autoridades, a comunidade LGBT tem organizado encontros em grupos secretos e comunidades online. Bares e boates gays foram fechados e muitos de seus proprietários e muitos frequentadores já fugiram do país.

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Adele Grandis: Taurina com ascendente em touro - isso explica muita coisa!