Oscar 2016: o que vale a pena e o que é problema

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Esses #merepresentam

No dia 28 de fevereiro, domingo, ocorre a 88ª edição do Oscar, considerada, pela ampla cobertura midiática e poder de propaganda, como a maior premiação do cinema mundial. A Academia, uma espécie de sociedade formada por profissionais do ramo cinematográfico, foi criada em 1927 para promover a indústria do cinema estadunidense e tentar estabelecer uma espécie de monopólio dos EUA no cinema mainstream mundial, e conta todos os anos com cerca de seis mil membros votantes com intuito de premiar as películas do ano anterior em 24 categorias diferentes, incluindo melhor filme e melhor diretor. E a edição desse ano, assim como a do ano passado, vem embalada em diversas polêmicas.

[Alguns exemplos de] Grandes injustiças do Oscar: O segredo de Brokeback Mountain perdendo o prêmio de melhor filme (dizem que em virtude da temática homossexual da película) para Crash: no limite no Oscar 2006, A Cor Púrpura (filme que aborda diversas temáticas negras, dirigido por Steven Spielberg e com Whoopi Goldberg [foto] no papel principal), que concorreu a 11 estatuetas na edição do Oscar de 1986 e não ganhou nenhuma, sendo o maior perdedor da História da premiação e Fernanda Montenegro (indicada a melhor atriz no Oscar 1999 por seu papel em Central do Brasil) perdendo o Oscar para Gwyneth Paltrow (por seu papel em Shakespeare Apaixonado). A categoria ainda tinha como indicadas atrizes como Meryl Streep e Cate Blanchet.

[Alguns exemplos de] Grandes injustiças na História do Oscar: O segredo de Brokeback Mountain perdendo o prêmio de melhor filme (dizem que em virtude da temática homossexual da película) para Crash: no limite no Oscar 2006, A Cor Púrpura (filme que aborda diversas temáticas negras, dirigido por Steven Spielberg e com Whoopi Goldberg [foto] no papel principal), que concorreu a 11 estatuetas na edição do Oscar 1986 e não ganhou nenhuma, sendo o maior perdedor da História da premiação e Fernanda Montenegro (indicada a melhor atriz no Oscar 1999 por seu papel em Central do Brasil) perdendo o Oscar para Gwyneth Paltrow (por seu papel em Shakespeare Apaixonado). A categoria ainda tinha como indicadas atrizes como Meryl Streep e Cate Blanchet.

Um dos problemas apontados quando a lista de indicados foi divulgada foi a falta de diversidade nos indicados nas principais categorias. Por exemplo, assim como na edição anterior, todos os atores e atrizes indicados são brancos, num fenômeno que foi chamado de whitewashing de Hollywood, indicando não somente a falta de indicações a atores, diretores e roteiristas não-brancos, mas um predomínio branco mesmo em papéis onde os personagens deveriam ser negros (a polêmica recente com a superprodução Deuses do Egito é um exemplo disso).

E qual a relevância de tanto foco num só prêmio, afinal? O Oscar é tão importante assim? Bem, é claro que podemos nos focar em circuitos mais alternativos, dar mais apoio a filmes independentes, mas a questão é que se pensarmos na produção de Hollywood (que atinge muito mais pessoas por ser mainstream), premiações geram buzz e receita para os grandes estúdios, o que permite que mais grandes produções com grande poder de divulgação sejam realizadas. Ou seja, o filmes que chegam a maioria das salas de cinema e atingem o maior número de pessoas (e, em certa instância, moldam de alguma maneira a cultura pop e refletem/formam opinião) de certa forma dependem do reconhecimento da Academia. E quem é exatamente a Academia? Bem, é aí que está a questão. Um levantamento feito pelo jornal Los Angeles Times apontou que os membros da Academia (quase 6.000 pessoas que se dividem entre executivos e pessoas que trabalharam na indústria cinematográfica em algum momento da sua vida, e por isso tiveram direito a voto) são de maioria branca (mais de 90%), homens (mais de 70%) e apenas 14% tem menos de cinquenta anos de idade.

Na primeira fileira, os diretores indicados ao Oscar 2016: Alejandro G. Iñárritu (O Regresso), Tom McCarthy (Spotlight - Segredos Revelados), Adam McKay (A Grande Aposta), George Miller (Mad Max: Estrada da Fúria) e Lenny Abrahamson (O Quarto de Jack). Na fileira do meio, roteiristas indicados na categoria Melhor roteiro original: Matt Charman (Ponte dos Espiões), Alex Garland (Ex Machina), Peter Docter, Meg LeFauve, Josh Cooley (Divertida Mente), Josh Singer, Tom McCarthy (Spotlight - Segredos Revelados) e Jonathan Herman, Andrea Berloff (Straigh Outta Comptom). Na fileira de baixo, roteiristas indicados na categoria Melhor roteiro adaptado: Charles Randolph, Adam McKay (A Grande Aposta), Nick Hornby (Brooklyn), Phyllis Nagy (Carol), Drew Goddard (Perdido em Marte) e Emma Donoghue (O Quarto de Jack).

Na primeira fileira, os diretores indicados ao Oscar 2016: Alejandro G. Iñárritu (O Regresso), Tom McCarthy (Spotlight – Segredos Revelados), Adam McKay (A Grande Aposta), George Miller (Mad Max: Estrada da Fúria) e Lenny Abrahamson (O Quarto de Jack). Na fileira do meio, roteiristas indicados na categoria Melhor roteiro original: Matt Charman (Ponte dos Espiões), Alex Garland (Ex Machina), Peter Docter, Meg LeFauve, Josh Cooley (Divertida Mente), Josh Singer, Tom McCarthy (Spotlight – Segredos Revelados) e Jonathan Herman, Andrea Berloff (Straigh Outta Comptom). Na fileira de baixo, roteiristas indicados na categoria Melhor roteiro adaptado: Charles Randolph, Adam McKay (A Grande Aposta), Nick Hornby (Brooklyn), Phyllis Nagy (Carol), Drew Goddard (Perdido em Marte) e Emma Donoghue (O Quarto de Jack).

 

Whoopi Goldberg, uma das poucas atrizes negras que já ganharam uma estatueta por seu trabalho, disse que o problema do Oscar não era exatamente a Academia, mas a falta de atores e atrizes não-brancos participando de filmes para serem apreciados. Mas olhando a questão de maneira mais aprofundada, é realmente um ciclo vicioso; se a Academia é, em sua grande maioria, conservadora (e é, considerando que latinos e negros somam 4% dos votantes, mulheres pouco mais de 20% e jovens pouco mais de 10%), a tendência é que se privilegiem películas pouco representativas de diversidade, o que por sua vez aumenta a receita dos grandes estúdios que, por sua vez, continuam preocupados em fazer filmes que sabem que tem chances de serem apreciados pela Academia. Viram como é um problema complexo?

Na fileira de cima, indicadas a melhor atriz: Cate Blanchett (Carol), Charlotte Rampling (45 Anos), Saoirse Ronan (Brooklyn), Jennifer Lawrence (Joy - o Nome do Sucesso) e Brie Larson (O quarto de Jack). Na fileira inferior, indicadas a melhor atriz coadjuvante: Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa), Jennifer Jason Leigh (Os 8 Odiados), Rachel McAdams (Spotlight - Segredos Revelados), Rooney Mara (Carol) e Kate Winslet (Steve Jobs).

Na fileira de cima, indicadas a melhor atriz: Cate Blanchett (Carol), Charlotte Rampling (45 Anos), Saoirse Ronan (Brooklyn), Jennifer Lawrence (Joy – o Nome do Sucesso) e Brie Larson (O quarto de Jack). Na fileira inferior, indicadas a melhor atriz coadjuvante: Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa), Jennifer Jason Leigh (Os 8 Odiados), Rachel McAdams (Spotlight – Segredos Revelados), Rooney Mara (Carol) e Kate Winslet (Steve Jobs).

 

Geena Davis certa vez disse que o problema do sexismo na indústria do cinema seria resolvido se: 1. se diretores, roteiristas e produtores começassem a rever suas produções em andamento, fazendo alterações e criando personagens femininos fortes e não estereotipados, mesmo em papéis pequenos e 2. Em cada cena que retrate uma multidão de pessoas, se esforce pra que ao menos metade das pessoas seja mulher. Isso tem acontecido na televisão, com diretoras e escritoras como Shonda Rhimes buscando realizar castings com mais diversidade para suas produções. O resultado se vê nas próprias premiações, com o sucesso de Viola Davis ou Taraji P. Henson por seus papéis em séries de TV como mulheres fortes e em posições de liderança, por exemplo. Diferente das grandes telas, que ainda costuma premiar negros em papéis de subserviência, e não de personagens fortes, como critica David Oyelow, protagonista do filme Selma, que foi esnobado pela Academia por seu papel de Dr. Martin Luther King na premiação do ano passado.

 

Na fileira de cima, indicados a melhor ator: Michael Fassbender (Steve Jobs), Bryan Cranston (Trumbo), Eddie Redmayne (A Garota Dinamarquesa), Matt Damon (Perdido em Marte) e Leonardo DiCaprio (O Regresso). Na fileira inferior, indicados a melhor ator coadjuvante: Tom Hardy (O Regresso), Christian Bale (A Grande Aposta), Sylvester Stallone (Creed - Nascido para Lutar), Mark Ruffalo (Spotlight - Segredos Revelados) e Mark Rylance (Ponte dos Espiões).

Na fileira de cima, indicados a melhor ator: Michael Fassbender (Steve Jobs), Bryan Cranston (Trumbo), Eddie Redmayne (A Garota Dinamarquesa), Matt Damon (Perdido em Marte) e Leonardo DiCaprio (O Regresso). Na fileira inferior, indicados a melhor ator coadjuvante: Tom Hardy (O Regresso), Christian Bale (A Grande Aposta), Sylvester Stallone (Creed – Nascido para Lutar), Mark Ruffalo (Spotlight – Segredos Revelados) e Mark Rylance (Ponte dos Espiões).

Se a formação da Academia não sofrer uma real reestruturação em sua formação, dificilmente o ciclo será quebrado. E não adianta apenas eleger uma presidente da Academia mulher e negra, porque a liderança de uma pessoa negra enquanto os milhares de votantes continuam esmagadoramente brancos, homens e conservadores é apenas uma medida paliativa pra tentar abafar os protestos. E o que se vê é a contradição de escolher um apresentador negro para a cerimônia (o apresentador desse ano é Chris Rock) e barrar a performance de uma cantora trans indicada na categoria melhor canção por não ser “comercialmente interessante”.

Mas como nós do Acoisatoda mantemos nossa postura crítica em relação a premiação mas ainda assim analisamos a situação pelo quadro geral, fizemos uma lista de filmes indicados desse ano que podem ser vistos pela ótica da diversidade, especialmente pela complexidade de seus personagens. Evidente que em toda edição do Oscar terão os filmes feitos só para exaltar a cultura norte-americana em detrimento das outras (como Ponte dos espiões e Joy), filmes tecnicamente bem feitos mas sem muito mais profundidade do que isso (como Perdido em Marte) e filmes que retratam a indústria do cinema quase como um fim em si mesmo (como Trumbo). Mas a seguir você confere os filmes que nos fazem pensar que o ingresso valeu a pena (ou o download, porque a vida é curta demais, não é mesmo?)

mad max 1. Mad Max

Há quem diga que a película digirida por George Miller deveria ser a ganhadora da estatueta de melhor filme desse ano. Sucesso de público e crítica, o filme é tecnicamente impecável, tem um bom roteiro e uma fotografia estonteante. Charlize Theron é um sopro de vigor e rouba a cena inclusive do protagonista/herói do filme, sendo uma personagem feminina forte, inteligente e real. Com a decepção que foi o filme As Sufragistas, um dos que era cotado como protagonista do Oscar desse ano, coube a Mad Max preencher a lacuna de “filme feminista” do ano.

 

 

 

 

 

 

2. O quarto de Jack (Room) room-movie-poster-2015

Com uma história densa, o filme retrata a vida de uma mulher que foi sequestrada na adolescência e mantida em cárcere privado por seu algoz, e que se esforça pra dar um senso de normalidade ao seu filho Jack, de apenas 5 anos. Com a delicadeza de um roteiro adaptado por uma mulher, Brie Larson empresta seu talento para encarnar o papel da jovem mãe, e já faturou o prêmio de melhor atriz no SAG Awards, no Critics Choice Awards, no Bafta e no Globo de Ouro. Apesar de não ser o típico filme que o Oscar costuma premiar, Brie faz jus aos prêmios que recebeu e sua personagem nos faz refletir sobre o machismo da sociedade e sobre as dificuldades de ser mulher mesmo no século XXI.
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3. Carol

Se é difícil assumir-se lésbica em 2016, que dirá nos anos 50! Falando de maneira bem ampla, Carol poderia ser considerada a versão feminina de O segredo de Brokeback Mountain, inclusive no potencial para tornar-se um clássico no gênero. Suas personagens são multidimensionais, e ganham vida com maestria através das atuações de Cate Blanchet e Rooney Mara. Longe de usar sexo lésbico como chamariz pra atrair espectadores (como acontece em Cisne Negro e Azul é a cor mais quente, por exemplo), Carol se pauta na sutileza das cenas e das atuações. A fotografia é linda, há diálogos ótimos até nos momentos de silêncio e talvez a única coisa realmente triste no filme é ver que mais de 60 anos depois, muita coisa ainda continua igual na sociedade.

 

 

 

4. 45 anos (45 years) 1288870_full

Charlotte Rampling pode ter derrapado – e feio – nas declarações sobre racismo no Oscar, mas se há algum motivo pra assistir 45 anos, esse motivo é a atuação da atriz, que praticamente carrega o filme nas costas. Preenchendo a “cota Nebraska” do Oscar (aquele filme existencial, sensível e minimalista que sempre recebe uma ou outra indicação no Oscar, mas dificilmente leva o prêmio pra casa), 45 anos é mais do que a história de uma mulher que descobre um segredo de seu marido depois de 45 anos de casamento; é um retrato da hipocrisia da “família tradicional” e das máscaras que as pessoas usam em nome de uma pretensa moralidade e prestígio social.

 

 

 

tumblr_nseygvqH3G1sv22xeo5_500  5. A garota dinamarquesa (The danish Girl)

Apesar das críticas – com muito fundamento – por trazer um ator cisgênero interpretando uma mulher trans, e pelas críticas por ter sido um pouco raso na sua abordagem da vida de Lili Elbe, A garota dinamarquesa é um filme que vale nossa atenção. É uma produção visualmente estonteante e recheada de boas atuações, e pode ser um primeiro contato de muitas pessoas com a reflexão sobre pessoas trans e o estigma social que ainda vivem. É também um ótimo incentivo pra que as pessoas pesquisem mais sobre a vida dessa mulher incrível que foi Lili. Sobre o filme em si, há de se elogiar a atuação de Eddie Redmayne como Einar/Lili, mas o grande destaque do filme fica por conta de Alicia Vikander no papel de Gerda, esposa de Lili. Mesmo com um rumo um pouco diferente da história original, Alicia traz à vida uma personagem sensível, complexa e cheia de nuances. Um filme sobre duas mulheres muito a frente do seu tempo.

 

 

6. Anomalisa anomalisa-poster

Concorrente na categoria melhor longa metragem de animação, Anomalisa se destaca por ser a única animação para adultos concorrendo. Charlie Kaufmann (roteirista de clássicos como Brilho Eterno de uma mente sem lembranças e Quero Ser John Malkovich) se aventura na direção e encara com maestria o desafio de colocar um roteiro complexo numa animação em stop motion. Michael, o personagem principal, é portador da Síndrome de Fregoli, e em meio a seus delírios conhece Lisa, que põe em xeque sua existência.  Lisa (voz de Jennifer Jason Leigh, indicada a melhor atriz coadjuvante pelo filme Os 8 odiados) é um dos personagens gordos mais complexos e maravilhosos que já foram escritos. Mais do que uma reflexão sobre a síndrome de Fregoli, Anomalisa nos faz pensar no machismo, na gordofobia, na opressão social a minorias e na nossa própria existência. Merecia tranquilamente indicações em outras categorias, como melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro.

 

 

1140_capa 7. O menino e o mundo (The boy and the world)

O único representante brasileiro no Oscar (já que o maravilhoso Que horas ela volta? não conseguiu chegar aos finalistas de melhor filme estrangeiro), O menino e o mundo é uma pérola da animação. Um filme inovador, que mistura várias técnicas de animação e foi feito praticamente sem roteiro prévio, e que questiona relações familiares, conflitos de classe, a arquitetura da cidade e as relações de poder advindos dela, e os conflitos entre ser criança e ser adulto no mundo atual. Por se tratar de Oscar, dificilmente a animação brasileira conseguirá vencer a supremacia dos estúdios da Pixar (que concorre esse ano com Divertida Mente) e trazer a estatueta pra cá, mas com certeza é um filme que já pode ser considerado um clássico.

 

 

 

 

8. Amy / What happened, miss Simone? amy-and-what-happened-miss-simone-movie-poster-split

Na categoria documentários de longa metragem, as duas produções que roubam a cena são as biografias de duas cantoras/mulheres incríveis: Nina Simone e Amy Winehouse. O interessante é que ambos os documentários são igualmente bem produzidos, e a história das duas cantoras – que viveram em épocas e contextos diferentes – se cruzam. Ambas são dotadas de um talento muito acima da média, ambas foram exploradas de diferentes formas pelas pessoas (especialmente pelos homens) que as cercavam. Ambas tiveram dificuldades pra lidar com as pressões sociais e midiáticas, e “explodiram” de forma negativa. Enquanto Nina sofreu silenciamento ostensivo por parte da mídia, por suas posições contundentes sobre o racismo contra negros, Amy foi obrigada pela mídia a se pronunciar mesmo quando tudo o que precisava era silêncio. Assistir esses dois documentários é perceber de maneira irrefutável o quanto o feminismo ainda é necessário.

 

mustang-toh-exclusive-poster 9. Cinco Graças (Mustang)

O representante francês na categoria de filme estrangeiro provavelmente é o melhor dentre os finalistas selecionados. O filme se passa num vilarejo turco e conta a história de uma família que busca arranjar casamentos para as cinco filhas (ainda crianças e/ou adolescentes), e como as irmãs procuram manter o relacionamento entre elas vivo mesmo com as agruras da vida. Longe de ser uma história feliz sobre o amor de cinco irmãs, o filme é uma história indigesta (porém muito bem contada) sobre o trágico destino de muitas mulheres em diferentes culturas patriarcais ao extremo. Provavelmente vá perder a estatueta para O húngaro O filho de Saul (filme com temática judeus/nazismo que sempre faz muito sucesso no Oscar, vide o prêmio do ano passado para Ida, que tratava praticamente do mesmo tema).

 

 

 

10. O regresso (The revenant) medium_f734b9dbce3ae793c26db26bb700426e-revenant

Vale citar o filme nessa lista porque é o filme recordista de indicações desse ano (12 categorias, incluindo melhor filme e a expectativa de que finalmente Leonardo DiCaprio vença um Oscar). De fato, o filme de Iñárritu (único diretor latino e não-branco indicado ao Oscar) tem uma ótima fotografia, uma história convincente e boas atuações. Mas a única razão dele ser favorito ao Oscar é que ele é um filme feito… para ganhar Oscars. Depois de dirigir grandes filmes como 21 gramas e Babel e de bater na trave das premiações com Biutiful, o diretor parece ter estudado tudo o que a Academia gosta de ver e produziu Birdman. Dito e feito, o filme conquistou a estatueta de melhor filme na premiação do ano passado, mesmo sendo basicamente um mashup pretensioso de All about Eve e Cisne Negro. E Iñarritu repete a fórmula que o consagrou em 2015 em O regresso, fazendo takes estonteantes (dessa vez num cenário inóspito e paradisíaco) e contando com o todo o talento do seu protagonista pra entregar emoção num filme de pouca história e poucas falas. Pode até parecer que o filme é uma metáfora da existência humana e sobre a natureza dos homens, mas não se engane: é só a história de um homem que foi atacado por um urso, deixado pra trás no meio do gelo e buscou vingança.

 

Não foram indicados, mas valem a pena

 

Filmes como Cidadão Kane, Laranja Mecânica e Um sonho de liberdade nunca tiveram o reconhecimento de uma estatueta do Oscar, mas se tornaram ícones da cultura pop e da História do Cinema. É comum a Academia deixar pra trás muitos filmes bons, que acabam por não ter muita divulgação justamente por não terem sido indicados. Fica a dica de três deles:

the-club-poster The Club (El Club)

O indicado chileno a filme estrangeiro não chegou aos finalistas, mas é um filme maravilhoso. Enquanto se discute a importância de um filme como Spotlight, que denuncia a pedofilia e a hipocrisia da Igreja católica através de uma história entendiante de mais de duas horas numa redação de jornal, The Club aborda o mesmo tema mas com uma abordagem muito mais fresca e diálogos bem mais elaborados. Em uma casa afastada das grandes cidades, padres que por algum motivo violaram as regras da Igreja são enviados e reclusos como forma de penitência e redenção. Quando a Igreja envia um representante pra avaliar a conduta dos ex-padres, todas as contradições do Catolicismo entram em cena, num filme com ótima fotografia e excelentes atuações. Foi indicado ao Globo de Ouro, mas perdeu para… O filho de Saul.

 

 

 

 

O novíssimo testamento (The Brand New Testament) the_brand_new_testament_poster_-_p_2015

Representante belga ao Oscar de filme estrangeiro e também finalista do Globo de Ouro, O novíssimo testamento é um filme capaz de provocar dias de reflexões, visto que há metáforas em praticamente todas as cenas. Deus, um velho rabugento, recluso e abusivo, é desafiado por sua filha mais nova, que invade o computador do Pai e divulga a data de morte de todas as pessoas do mundo. Um filme sobre o poder masculino na sociedade, a sabedoria feminina e infantil e uma reflexão profunda sobre diferentes trajetórias de vida. Merecia tranquilamente uma estatueta de filme estrangeiro e ao menos uma indicação a melhor filme.

 

 

 

 

beastssmallposter Beasts of no nation

Estrelado por Idris Elba (vencedor da categoria melhor ator no SAG Awards) e com produção da Netflix, o filme conta a história da formação de um exército infantil durante um período de guerra numa comunidade de vilarejos africanos. Um filme difícil de ser assistido (dada sua forte temática), com personagens não-maniqueístas e excelente fotografia e efeitos especiais. Um ótimo representante de excelente nível técnico que traria um pouco mais de diversidade às indicações do Oscar, mas que foi injustamente ignorado pela Academia. Uma pena.

 

 

 

 

 

 

Então, pode estourar a pipoca e a gente se vê no Oscar! (Ou não).

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Marco Magoga é amante da Moda, casado com as Artes, em processo de divórcio com o senso comum.