Pink Tax: Por que as mulheres ganham menos e gastam mais?

pink_tax_6Mulheres ganham menos que os homens, fato. Mas apesar disso, elas gastam mais – e não necessariamente por gostarem de fazer compras. Trata-se da ‘pink tax’, valor superior de produtos destinados ao público feminino que são similares aos masculinos. A diferença está, basicamente, no preço. De acordo com uma pesquisa apresentada pela Catho em 2015, a diferença salarial entre elas e eles chega a ser de até 40%. E a discrepância é a ainda maior em cargos menores, como funções técnicas.

Por que, então, gastamos mais? Para compreender tal razão, precisamos considerar nossa sociedade. Apesar de mudanças pontuais e graduais, nossa cultura enfatiza o consumo feminismo, fazendo com que mulheres se tornem mais suscetíveis a comprar. Além disso, é comum que as donas de casa é que partam para as compras de mês enquanto seus maridos estão no escritório.

Generalizando com base em dados de pesquisas comportamentais, as coisas funcionam basicamente assim. Um homem sai às compras quando realmente precisa de algo e pronto, é isso que ele faz. Há a necessidade de um xampu? O cara vai até a gôndola, dá uma olhada pra lá outra pra cá para localizar os artigos masculinos e tende a pegar o primeiro frasco que vê pela frente ou o mais barato deles.

Enquanto isso, a mulher tem mais atenção quando sai às compras. Compara preços, pesquisa, atenta-se aos valores agregados, a confiabilidade da marca… Boa parte das campanhas publicitárias é voltada às mulheres – inclusive as de produtos destinados ao público masculino.

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Um bom exemplo disso são os comerciais do Old Spice, o desodorante do ‘homem homem’. Diferente dos intervalos de cerveja, que apostam nas gostosas, a Old Spice opta por homens musculosos e seminus em campanhas – justamente para atrair a atenção das mulheres. São elas quem vão ao mercado comprar as coisas de casa. Não é raro que seja ‘função’ da dona de casa abastecer a dispensa atentando-se às necessidades dos filhos e maridão.

E nessas horas a propaganda atua no inconsciente feminino: a senhora irá optar por Axé (principal concorrente do Old Spice), que tem como mote ‘elas avançam’, ou um produto novo no mercado que mostra homens trajados com fardas e afins, exibindo toda sua virilidade? Ela vai querer um marido assim, para ela e não um marido gostoso para que outras avancem.

Você pode ser do tipo de mulher que não cai nessa história, mas existem muitas outras que partem deste princípio e é assim que o marketing, a propaganda e a publicidade marcam pontos no incentivo de consumo feminino.

Mas a Pink Tax vai muito além e conforme formos explicando seu funcionamento, é bem provável que você também seja uma das tantas vítimas das estratégias boladas especialmente para estimular o consumo das mulheres.

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Um levantamento recente realizado nos Estados Unidos revela que existem mais de 800 itens similares com preços totalmente díspares de acordo com o público ao qual são segmentados. Por aqui ainda não foi realizado nenhum estudo do gênero, mas fizemos algumas coletas de exemplos que ilustrarão perfeitamente essas diferenças.

Partindo dos itens mais básicos, com artigos de higiene pessoal. Sabonetes líquidos voltados às mulheres chegam a custar até 40% a mais do que um destinado aos homens. Os sabonetes em barra têm diferenças que giram em torno de 6%. Xampus, desodorantes e cremes também integram esta lista.

Consultamos o e-commerce da Drogaraia e notamos que o mesmo barbeador – da mesma marca e da mesma linha – tem diferença de R$1.91, apenas por conta da cor. O modelo azul custa R$11,22 e o rosa R$13,13. Por que disso? Simples. Eis um produto consumido com mais frequência pelos homens. Sendo assim, o valor superior do item feminino compensa as despesas baixas do masculino por sua rotatividade de compra. Somos nós que arcamos com isso.

No caso dos sabonetes líquidos, por exemplo, na mesma farmácia, dois frascos Dove de 250ml saem por R$7,89 o masculino e R$8,90 o feminino. Sim, o sabonete para elas têm aroma de flor de cerejeira e amêndoas, enquanto o deles é apenas clean comfort. Desenvolver um produto com tais ingredientes encarece seu custo. Mas qual de nós pediu por vasta opção de ofertas?

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Poderíamos utilizar os mesmos tipos de produto, uma vez que ambos cumprem a mesma função, mas isso faz parte da estratégia de incentivo ao consumo feminino. O marketing feminino, segundo o portal The Marketing Done, atenta-se a uma série de detalhes para fazer com que as mulheres gastem mais.

Propor produtos e novidades que agreguem valores a suas rotinas é o principal deles. O positivismo nas campanhas e embalagens também são bem estudados. Mulheres pechincham, comparam preços e barganham – quanto mais ‘vantagens’ um produto lhe oferecer, mais irá pesar em sua decisão na hora de escolher o que levar. Produtos femininos não estereotipam a mulher. Ao invés disso, ressalta-se benefícios e qualidades que fazem com que nosso inconsciente acredite que precisamos disso (termos são bem pensados, como relaxante, rejuvenescedor, perfumado, mil e uma utilidades, econômico…). Tudo parece estar ali, à nossa disposição, para atender nossas necessidades.

A realidade é que precisamos de um banho, um hidratante e nossa querida maquiagem. Poderia ser simples assim, mas as opções de escolhas crescem cada vez mais, com propostas milagrosas que nos propõem apenas experimentar – garantimos o resultado ou seu dinheiro de volta.

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As diferenças entre o consumo masculino e feminino vão além das commodities. Na moda, outro segmento que as mulheres tendem a ter muito mais atenção, as estratégias seguem bem planejadas. Visitamos também a loja virtual da C&A em busca de uma calça jeans de modelo simples.

Enquanto a masculina custa R$79,99 e é descrita apenas como ‘calça slim azul’, um modelo extremamente similar, só que feminino, sai por R$119 e tem como legenda ‘calça jeans reta com puídos azul médio’. Temos ai a justificativa do valor mais alto. A dele é apenas uma slim azul, a dela é reta com puídos azul médio.

Outra diferença a ser considerada é a numeração. A masculina tem grade que vai do 36 ao 48, enquanto a feminina veste do 34 (!) ao 46. Ou seja, ganhamos menos, gastamos mais e precisamos manter a boca fechada para entrar na calça cara que compramos na loja de departamentos.

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Salões de beleza são outro exemplo de desigualdade. Manter o corte de um cabelo curto é muito mais complicado do que aparar longas madeixas, mas homens pagam menos para cortar seus cabelos. Consultamos os valores do Circus e do Retro. Em ambos o corte masculino é mais barato. Consideremos, porém, que existem homens de cabelos longos e mulheres de corte Joãozinho. Qual a razão, então, para a diferença dos valores ser baseada no sexo?

Infelizmente, abordando tópicos do gênero, é comum nos depararmos com comentários de pessoas que acreditem que esta seja uma observação à toa. Afinal de contas, mulheres também têm suas vantagens, como o preço de uma balada. Alguns clubes permitem até presença VIP para a mulherada.

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Só que isso não é favor e nem reconhecimento para nosso sexo. Trata-se de mais uma estratégia para atraia a atenção masculina. E lá estamos nós na pista, curtindo a valer aquela música que tanto gostamos, para espairecer o fato de ganharmos menos, gastarmos mais e contabilizar calorias para caber em nossas roupas, até que um cara – um cara que ganha mais e gasta menos – vem cortar nosso barato com cantadas manjadas.

E ainda somos obrigadas a ouvir cotidianamente que o machismo não existe e que femininas são assim porque não transam! Abstinência sexual é infinitas vezes melhor do que se entregar para babacas coxinhas do gênero. Sair com um tipo desses é mais um barato que sai caro e a gente já gasta demais…

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Adele Grandis: Taurina com ascendente em touro - isso explica muita coisa!