1º de dezembro: Dia Mundial de Luta Contra a AIDS

O dia 1º de dezembro, em todo o mundo, é lembrado como o Dia Mundial de Luta Conra a AIDS, essa síndrome que ainda hoje aterroriza e cria estigmas tanto na população LGBTQIA, quanto em pessoas cis-heterossexuais. Felizmente não estamos mais nos anos 80/90, quando a epidemia nos tirou vários ídolos, parentes e entes queridos – são mais de 35 milhões de mortes por AIDS nos últimos 30 anos -, mas vale lembrar que ainda existem hoje, segundo estimativas, cerca de 34 milhões de pessoas portadoras do vírus HIV no mundo.

Esse texto não vai se resumir a relembrar da importância da camisinha, ou falar de PeP (Profilaxia pós Exposição) ou de PrEP (Profilaxia pré Exposição), mas sim lembrar que ser soropositivo não é mais uma condenação a uma vida breve e trágica. Portadores do HIV podem ter uma vida tão cheia de alegrias e prazeres quanto qualquer outra pessoa. Todo mundo sabe que o vírus do HIV é transmitido através de relações sexuais sem camisinha, ou de transfusão de sangue na qual o doador seja portador do vírus, certo? Hoje, vamos falar de como não se pega o vírus. E para os que gostam de ir a fundo na questão, no final temos uma tabelinha feita pelo CDC (Centro de Controle de Doenças) dos EUA sobre os riscos de transmissão do HIV.

dia mundial de lutra contra a aids

Compartilhar talheres, lençóis, roupas, roupas íntimas:

Não, nada disso transmite o HIV. Dividir um sorvete, a cama, ou mesmo as roupas não trás nenhum risco de transmissão. Então todas as taras, prazeres e sensações de dormir agarradinho, usar a roupa da parceira(o), ou mesmo dividir uma taça de sorvete é perfeitamente prazeroso, sexy e seguro.

Beijos, amassos e dedadas:

Mas é claro que não! A saliva não contém HIV, você pode beijar toda a população do planeta e mesmo assim não correr risco nenhum quanto ao HIV viu? Beijar é bom, faz bem ao humor, ao relacionamento, e não há risco algum! Nem mesmo aqueles belos amassos das preliminares, ou pra quem curte, umas dedadas também não trarão nenhum risco, pois a nossa pele, esse maravilhoso órgão humano é uma barreira intransponível para o vírus. Então se você deseja brincar de Eliana e por seus dedinhos para trabalhar, não fique na neura e mãos à obra!

Masturbação, sêmen em contato com a parte externa da genitália (ou mesmo ânus):

Bom gente, aqui vem uma coisa que POUCOS sabem: Não, nada disso transmite o HIV. Nem mesmo aquela generosa ejaculada. Isso se deve a baixa resistência do HIV à nossa atmosfera, somado a barreira que é nossa pele. O risco existe quando há penetração, quando é só uma masturbação mútua, ou mesmo um fetiche de gozada na cara/pau/bunda, é totalmente seguro – se não houver alguma lesão na pele, é claro. Logo, é sempre bom ficar de olho pra ver se não existe nenhuma feridinha nessas regiões, até por que tais feridas podem ser sintomas de outras DSTs, né não?

Sexo penetrativo com alguém de carga viral indetectável:

Aqui temos outra informação pouco divulgada, até mesmo por ser uma novidade nas pesquisas. Quando o soropositivo está tomando seus remédios direitinho, em poucos meses ele chega à carga viral indetectável, certo? Então isso significa que a quantidade de cópias do vírus HIV presente no sangue é tão baixa que não aparece nos exames de rotina. É claro que isso não significa que ele esteja curado, mas significa que, segundo as pesquisas mais recentes (como esta, esta aqui, e esta outra), pessoas indetectáveis não transmitem o vírus para seus parceiros. Mas apesar disso a orientação do nosso Ministério da Saúde é de manter a camisinha sempre!

Sexo com alguém que está fazendo uso de PrEP:

A profilaxia pré-exposição (PrEP) ainda não foi liberada pelo Ministério da Saúde brasileiro, mas seu uso já é disseminado nos EUA. O famoso remédio Truvada (que é a combinação de dois remédios antirretrovirais) garante que mesmo em contato com o vírus HIV, a pessoa não se infecte. A própria OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda o uso da medicação no combate ao HIV. Já fica a informação pra quando o PrEP for liberado por aqui, e para nossos leitores na gringa!

Gerar um filho:

A famosa transmissão vertical (que é quando um bebê contrai o vírus da mãe), já foi muito preocupante. Mas hoje em dia diversos protocolos médicos durante o parto (momento que ocorria a transmissão do sangue da mãe, até o sangue da bebê) garantem que isso não aconteça mais.

Tabela do CDC dos riscos de transmissão do HIV em diversas circunstâncias:

 

Tabela do CDC traduzida pelo portal LadoBi

Tabela do CDC traduzida pelo portal LadoBi

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Nexus Polaris é Pretor Hierofante da Armada, Cônsul de Atlantis para esta Dimensão nas horas vagas... Mas também produtor cultural e ativista que cursou Gestão em Políticas Públicas pela USP, responsável pela editoria Política.