A desigualdade salarial em Hollywood

Que Hollywood tem medo de empoderar as mulheres, nós já sabemos. Na maioria dos filmes no estilo blockbuster, nós não somos relevantes de fato. É o que mostra a desigualdade salarial vem sendo apontada sumariamente por atrizes do mainstream do cinema. Recentemente, foi a maravilhosa Jennifer Lawrence que publicou um artigo dizendo “Why Do I Make Less Than My Male Co‑Stars?”, em tradução livre, “Porque eu ganho menos do que meus colegas homens?”.

“Quando descobri, depois do ataque à Sony, o quão menos eu recebia em relação a eles, esses sortudos que têm um pênis, não fiquei aborrecida com a Sony. Fique aborrecida comigo. Fui uma má negociadora. Desisti cedo demais”, escreveu a atriz na revista digital Lenny, um projeto da atriz Lena Dunham e da argumentista Jenni Konner. Mas vamos refletir: é obrigação de Jenn não “desistir cedo demais”, ou será que é obrigação da indústria deixar de ser machista?

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O ataque à Sony que ela cita no artigo refere-se ao episódio em que um e-mail da Sony Pictures vazou e trouxe à tona o fato de que Jennifer Lawrence recebeu menos que seus colegas do sexo masculino em “Trapaça”. Ela teria ficado com 7% dos lucros, enquanto o diretor David Russell e os atores Christian Bale e Bradley Cooper levaram 9%. Ela e a coestrela Amy Adams, segunda protagonista feminina do filme, acabaram prejudicadas.

Jenn foi firme no artigo e toda sua frustração foi compartilhada pela atriz Rooney Mara, que esta semana declarou: “Estive em filmes em que contracenei com homens que ganham o dobro do que eu ganho”.

No Brasil, mulheres ganham 30% menos do que homens, de acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID. Do outro lado do mundo, não importa se você é uma atriz famosa, talentosa, dedicada e bem conceituada em uma indústria que quase ignora seu gênero na produção de massa. Você vai padecer, seja sendo objetificada em filmes de ação ou de segmentos ~masculinos~, seja recebendo menos que seus colegas. Porque você leva entre as pernas o que, na cabeça de uma sociedade machista, te define para todo sempre.

É preciso mudar esse cenário. Jennifer e Rooney sabem disso. Hollywood precisa começar a parar de fingir que não sabe.

Leia o artigo de Jennifer na íntegra, clicando aqui.

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Daiane “Lyra” Libero é jornalista de cultura e cinema em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.