De barba e minissaia, conheça a LadyBeard

[Colaboração de Rafael Faustino*]comicalpsychoed

No senso comum, se você hoje age de tal forma e amanhã de outra, é porque quer aparecer, se acha melhor do que os outros, é carente, não se aceita, vai para o inferno e (pra variar) é ~viadinho~ entre outros pré-julgamentos.

Uma amiga dizia sempre: “Olha, a vida é uma sorveteria: existem todos esses sabores. Você tem de experimentar todos para saber de quais vai gostar”. E foi esse aprendizado que me veio na cabeça quando comecei a ler sobre a LadyBeard, esta “multitasker” linda de se ver.

Crossdresser, vocalista de Death Metal, pro-wrestler, artista marcial e ator (juro que consigo ouvir todas essas qualidades com a voz da Marília Gabriela introduzindo um convidado), Richard Magarey é um australiano, ou melhor, “uma menina japonesa de cinco anos misteriosamente nascida na Austrália e com a aparência de um homem australiano”, como o mesmo se define, e que conseguiu tanto sucesso no Japão que vai estrear o que parece ser seu próprio tokusatsu,  um termo japonês para denominar os filmes com efeitos especiais. 

Já acostumado a usar vestidos durante as apresentações de Death Metal há anos, tornou-se famoso nos palcos de Hong Kong fazendo covers de músicas pop locais em versão metal  – e também pelo contraste da voz gutural saindo daquele ser barbudo de perna grossa para fora de um look fofíssimo à lá boneca Suzy. “Quando comecei a ser crossdresser em HK a reação dos chineses foi extremamente positiva. Pareceu que eu era a coisa mais louca e engraçada que eles já viram na vida. Então, enquanto estou de vestido, comecei a me chamar LadyBeard, o que soa muito bem em cantonês”.

Além de usar a alcunha enquanto invocava demônios pelo microfone, LadyBeard também ficou conhecido nos ringues de luta livre. “Quando comecei a ser wrestler eu decidi usar um vestido no ringue e me chamar LadyBeard nas lutas também. Eu esperava ser odiado logo na minha primeira luta! Pensei que um homem branco peludo que mal falava cantonês direito e ainda usando um vestido seria desprezado. Errado, todo mundo amou. Depois da minha primeira luta eu era o wrestler mais popular de HK.”

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Que “Japão” significa na língua universal “coisas estranhas acontecem primeiro aqui” todo mundo sabe. Além dos fãs que já insistiam que LadyBeard fosse zarpar por lá, ele foi descoberto pelo CEO da Clearstone, empresa japonesa especializada em fantasias de cosplay, que teve a ideia de juntá-lo a duas garotas (Rie Kaneko, 17 e Rei Kuromiya, com 14 aninhos), e formar a Ladybaby, que segue um estilo iniciado pela Babymetal, no qual visuais fofos e som pesado se encontram, só que com um barbudo no meio. O vídeo mais visto deles, Nippon Manju, conta com mais de 7 milhões de views.
LadyBeard é uma prova de que ninguém precisa se resumir a um papel pra ser feliz ou fazer sucesso.

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*Rafael Faustino, vulgo Raffaus, 26 anos, ilustrador, designer e exímio bebedor de cervejas.

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