Marina Lima: 60 anos vivendo a coisa toda

Marina Lima por Rogerio Stella

Foto de Beti Niemeyer

Dia 17 de setembro é aniversário da cantora, compositora, multi-instrumentista e ícone da música brasileira Marina Lima. Em 2015 ela faz 60 anos de idade, 36 anos desde o lançamento do primeiro disco, “Simples Como Fogo”.

São quase 4 décadas de beleza e vulnerabilidade registradas em forma de música pop. A primeira vez que ouvi falar dela foi quando vi minha irmã mais velha, adolescente em 1985, tentando convencer meus pais a deixá-la assistir a apresentação que Marina fez no Teatro Guaíra, em Curitiba, na tour do disco “Todas”. Ela conseguiu e presenciou de perto um show revolucionário, no qual Marina cantava e empunhava sua guitarra para falar abertamente sobre sexo, sobre protagonismo feminino, sobre meninas com meninas. Na época eu tinha só 6 anos, mas já percebia que homens me interessavam mais. Percebi que teria que lidar com gente me apontando o dedo por ser diferente. Percebi também que poderia escolher protagonizar minha vida ou me moldar ao que o mundo em volta pedia de mim.

Veja o show “Todas Ao Vivo” neste especial da TV Manchete:

Marina fala de sua vida pessoal sem sorriso forçado, sem necessidade de forjar um “OK” que nem sempre está ali. Em meados dos 90 – e em um período curto de tempo – Marina perdeu o pai, depois enfrentou um doloroso fim de relacionamento e, por fim, teve a voz permanentemente afetada por um procedimento médico mal executado. Foi a hora de levar sua honestidade às últimas consequências. Dotada de toda integridade artística possível, Marina reinventou-se e rasgou o coração do Brasil com uma turnê teatral, na qual protagonizava sua nova voz e encenava sua própria loucura sem pruridos.

Confira entrevista na qual Marina fala sobre essa fase difícil a Marília Gabriela:

O estado atual da arte de Marina é um dos mais interessantes de toda a sua carreira. Desde 2001, ela vem trabalhando seus discos em formato cada vez mais intimista. Home studio, amigos próximos, letras sempre pessoais e experimentações eletrônicas.

Em 2015, encontro na Marina (de maneira que não encontro em Madonna, nem em Beyoncé, muito menos em Taylor Swift, quem sabe um pouco em Rihanna e Lady Gaga) um reflexo menos “artificializado” do que é ser um cidadão LGBTQ+. Ao optar por não divar, Marina assume o que é sem fingir o que não é. Nos passa a mensagem que é, quem sabe, a mais importante de todas: seja você mesmx. Marina é e sempre foi a coisa toda. Parabéns.

*Marina, deixo abaixo um presentinho. Espero que goste <3

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