Thina Curtis e a Presença da mulher em HQs e Fanzines

thina destaque

Artista plástica e arte educadora, a aquariana Thina Curtis é apaixonada por fanzines e está promovendo, dia 05/09, mais um encontro na Gibiteca Balão*. Dessa vez, ela fala sobre a presença da mulher nos quadrinhos. Entrevistei Thina para saber mais sobre sua trajetória e feminismo na nona arte.


 

1. Você é arte educadora e artista plástica. Quando e como o fanzine, essa arte tão marginalizada, desdenhada, surgiu na sua vida?

O Fanzine surgiu em minha vida muito cedo, comecei a fazer com minhas poesias e colagens e na verdade, eu nem imaginava que isso tinha nome e mais pessoas que fizessem. Veio de uma necessidade que tinha de colocar pra fora meus medos, as angústias de uma vida bem complicada, de uma garota de periferia que sofria bullying na escola por ser nerd demais, alta e magra demais.

O fanzine foi essencial e vital em minha vida.

2. De onde vêm os temas dos seus fanzines?

Faço fanzines desde 1989… faz um tempinho (risos). Eles sempre tiveram a ver com minha realidade, então relacionados as artes, digamos, “lado B”. Então, música, literatura, quadrinhos, gênero e cidadania são os meus temas principais.

Faço o Spell Work há quase 12 anos e sempre colaborei com matérias e poesias para outros fanzines. Há 3 anos faço poesias em quadrinhos também.

thina poesia

Thina e um de seus poemas.

3. Como surgiu a ideia do Fórum GB “As Mulheres nas HQs e Fanzines”?

A  ideia foi da galera da Gibiteca Balão mesmo, de pessoas que lidam diretamente com esta  realidade que precisa mudar. Já passou da hora! Aliás, eu aceitei instantaneamente, claro!

Esse é um convite e tanto para mim, que sempre lutei muito para que todos tenham um espaço igual; afinal, arte não tem sexo!

4. Os quadrinhos e os zines de hoje estão mais feministas?

Acredito que hoje em dia são sim, estão muito mais politizados; temos mais liberdade, mais formas de divulgação e de fazer a coisa acontecer, menos medos também.

5. Quais seus quadrinhos e fanzines favoritos em termos de inclusão e empoderamento feminino?

Gosto muito dos trabalhos da Kellen Carvalho, a revista independente Velha é demais! Também curto os fanzines e ações da Luanda Soares, da Anita Costa Prado (Katita), do Henrique Magalhães, a Maria é uma super heroína do cotidiano; a Daniele Barros também tem trabalhos muito interessantes em relação ao feminino e a espiritualidade. E tem as Ratas Rabiosas com o Ratazine, elaborando questões de empoderamento muito fortes.

Um que gosto muito é o zine Vagina, da Jéssica, de MG. Trabalhei muito com ele em sala de aula e deu um grande resultado! Gosto muito do quadrinho Persépolis, dos trabalhos da Aline Crumb, dos cartoons da Chiquinha e também recebo  muitos fanzines feministas punks, que não são tão conhecidos.

Além disso, acompanho pelo Facebook grupos em que vejo a mulherada mandando ver e isto, sim, é uma grande revolução e transformação! Não posso deixar de citar o Bikini Kill, que foi e é uma referência e a revista Picles, edição Só Mulherada, da qual também participei.

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Thina Curtis. Foto: divulgação.

6. Quais os eventos mais importantes para os fanzineiros no Brasil?

Hoje em dia estão acontecendo vários eventos importantes em vários locais. Eu organizo o Fanzinada, mas tem a Ugra Press, a Feira Plana, o Mutação, Fanzinaço, a FIQ, todos espaços onde encontraremos fanzines.

7. Quais super poderes são importantes no mundo de hoje?

Com certeza o maior é o amor. O amor pelas pessoas, animais, pelo que se faz, por si mesmo. Razão e sensibilidade. Resiliência e como dizem os super-heróis “Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades”. 

Grata pela oportunidade e parabéns pelo incentivo e luta!

 

Eu que agradeço, super humana Thina! <3


Evento: Fórum GB “As Mulheres nas HQs e Fanzines” com Thina Curtis

Quando: 05/09, das 19:00 às 21:00

Onde: Gibiteca Balão, Rua Antonio Carlos de Oliveira Cesar, 97, 08220-535 São Paulo

 

 

 

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