Economia é movimentada por LGBTs

Depois de um estudo, realizado no Distrito Federal, nos últimos 15 anos o número de estabelecimentos voltados ao público LGBT dobrou na capital federal, destacando-a como destino turístico LGBT. Como dissertação de mestrado, a pesquisadora Agatha Guerra identificou 16 estabelecimentos, incluindo bares e restaurantes, 6 saunas, 9 eventos mensais e 8 locais fixos para realizar festas na cidade. Em um segmento onde há impacto de, por exemplo, R$ 59,5 milhões só na cidade de São Paulo em 2014, segundo dados do governo, e em um país que é considerado um dos 10 melhores do mundo para o público LGBT, segundo levantamento do site GayDar, é de se esperar que a economia vise tal demanda, e supra-a com cada vez mais ofertas e concorrência.

O turismo nacional é um dos principais setores afetados: já em 2012, a SPTuris aponta que 40% do público da Parada LGBT de São Paulo seja formada por turistas sendo que, desses, 2,6% são estrangeiros (em sua maioria, provenientes da Argentina, Estados Unidos, Peru e Holanda). Ainda em 2012 a população LGBT do Brasil atingiu a marca de 18 milhões de pessoas, quase a totalidade da região metropolitana de São Paulo, gastando cerca de 30% mais em bens de consumo em comparação aos heterossexuais (segundo pesquisa da inSearch que, mesmo estando focada nas classes A e B, representa uma fatia expressiva).

De acordo com a Associação Brasileira de Turismo para Gays, Lésbicas e Simpatizantes (Abrat-GLS), o perfil movimenta R$ 150 bilhões por ano no Brasil. É de olho nesse segmento que cada vez mais empresas, de todos os portes, voltam seus olhos para o público LGBT.

Brasil LGBT - Reprodução Wikimedia Commons

Cidades como o Rio de Janeiro, considerada uma das mais gay-friendly do mundo, têm iniciativas para atender ao visitante LGBT. Uma das estratégias realizadas pela capital carioca foi a promoção de cursos de capacitação sobre a Lei de Direitos Civis e Humanos para empresários, donos e funcionários de estabelecimentos comerciais. Apesar de bastante rentável, o setor turístico é apenas mais um, entre diversos outros, onde o público LGBT espera encontrar hospitalidade. “O primeiro passo das empresas é a exposição. Uma marca que se coloca como friendly ou que tenha um produto específico precisa se mostrar dessa forma. Há um preconceito muito grande, mas muitas estão deixando isso de lado e partindo para o que interessa: negócio, desenvolvimento e faturamento”, disse Luiz Redeschi, empresário e organizador da Expo Business LGBT Mercosul.

Há iniciativas por parte de grandes corporações, como o Itaú que, em sua campanha para o Facebook do Dia dos Namorados de 2012, usou uma ilustração de um casal heterossexual, de um casal de gays e um de lésbicas com a frase “Feliz Dia dos Namorados do Seu Jeito”.  Já na Parada LGBT de São Paulo de 2012 o banco também parabenizou a diversidade, por meio da bandeira do movimento LGBT e da frase “A gente é laranja, mas é feito pra todas as cores”. Depois da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de legalizar a união estável, uma pesquisa realizada pela inSearch indicou que dos 58% com parceiro fixo, 19% deles pretendem comprar um imóvel financiado no nome do casal. No setor imobiliário, a Tecnisa promove, desde 2003, ações voltadas para o público LGBT, como a campanha “Mais cedo ou mais tarde, vocês vão morar juntos”, onde o anúncio trazia um varal com duas cuecas penduradas. A construtora se voltou para o segmento e, em 2010, percebeu que o ticket médio de homossexuais chegava a R$ 400 mil.

Não é desenvolver um produto ou serviço, mas conversar bem. Existem empresas mais sensíveis a isso, que fazem um plano de comunicação excelente. A Fnac é um exemplo, assim como o Itaú e a própria Tecnisa. Ao falar com o público LGBT, esses grupos assumem que o mundo vive hoje uma grande diversidade.

Comentou Fábio Mariano, especialista em comportamento do consumidor e diretor executivo da inSearch. Apesar de as ações específicas para este segmento encontrarem barreiras no mercado brasileiro, a tendência é que as marcas se adequem aos consumidores em potencial.

Eventos como a Expo Business LGBT Mercosul, realizada pela terceira vez em 2014, são iniciativas que ajudam as marcas a entenderem o perfil do público. Com 32 expositores, entre eles os governos de São Paulo, Pernambuco, Argentina e Uruguai, marcas voltadas para o turismo e outras como a Dell e a Brazilian Hospitality Group (BHG), o evento propõe o diálogo e a troca de experiências:

O principal aprendizado é que será inevitável não pensar em uma participação cada vez maior dos “homossexuais” (sic) no mercado. Ainda que poucas, as conquistas existiram do ponto de vista cível e até mesmo nas propagandas, hoje é quase inexistente uma novela que não tenha ao menos um gay. A comunicação das empresas terá que passar por mudanças.

Aponta Fábio Mariano.

 

Comentários

Comentários

Nexus Polaris é Pretor Hierofante da Armada, Cônsul de Atlantis para esta Dimensão nas horas vagas... Mas também produtor cultural e ativista que cursou Gestão em Políticas Públicas pela USP, responsável pela editoria Política.