Começou hoje o Festival Internacional de Curtas de SP

A Vida do Fósforo. Imagem: divulgação

Colaboração de Marcio Miranda Perez

A Vida do Fósforo. Imagem: divulgação

A Vida do Fósforo. Imagem: divulgação

O Festival Internacional de Curtas de São Paulo teve a sua abertura hoje (19). Amanhã começa a programação em várias salas da cidade. O Festival sempre buscou representar e incentivar na sua programação a produção LGBTQ e o formato curta-metragem é o espaço perfeito por excelência para a experimentação. Por isso, acaba sendo palco dos mais variados, ousados e criativos trabalhos de investigação e afirmação da sexualidade.

Irmão mais velho do Festival Mix Brasil, ambos, inclusive, têm suas sedes no mesmo velho prédio da Vieira de Carvalho. O evento de curtas montou este ano um programa chamado Não Amarás, um conjunto de filmes LGBTQ que foi reunido em torno da percepção do aumento do conflito contra a expressão da sexualidade e do gênero.

Um dos destaques do programa é a estreia nacional do poderoso Copyleft, do brasileiro Rodrigo Carneiro, uma jornada densa e provocativa pelos mares da normatividade. O programa ainda conta com o irônico musical francês Posto de Turismo, o explícito documentário Agora Livre, da Bélgica, e o ganhador do Teddy Bear da última Berlinale, o chileno San Cristóbal.

26º Festival Internacional de Curtas Metragem de São Paulo

 

A produção brasileira vem forte e bastante rica: no intenso A Vida do Fósforo Não É Bolinho, Gatinho, do diretor Sergio Silva, no qual o protagonista Marcos recebe um hóspede estrangeiro em seu apartamento e acaba se apaixonando perdidamente por ele. When I Get Home, de Aldemar Matias, vai até Cuba investigar o delicado cotidiano de um casal de senhores cubanos. Já no despudorado Joga as Tranças, Rapunzel, de Matheus Rocha, duas drags piram em um apartamento enquanto tentam produzir uma videodança. O paraibano Santa Rosa traça um retrato bonito mas cruel da vida de uma travesti em busca de respeito e oportunidade profissional, usando como pano de fundo o cenário do Teatro Santa Roza e as ruas históricas de João Pessoa.

Além disso, há filmes que não nos deixam esquecer que a heterossexualidade está muito longe de ser um terreno firme e conhecido, como o inventivo Fio-Terra, de Ian Capillé, e o deliciosamente traumático No Dia em que Lembrei da Viagem à Bicuda, de Vitor Medeiros, ambos cariocas.

No Dia em que Lembrei da Viagem à Bicuda. Imagem: divulgação

No Dia em que Lembrei da Viagem à Bicuda. Imagem: divulgação

Além do Brasil, outros países da América Latina apresentaram este ano uma explosão de filmes, em quantidade e qualidade, como não se via antes.

Do México ao Chile, de Cuba à Argentina, a produção de curtas do continente, respaldada por importantes festivais internacionais, parece refletir uma energia que temos visto crescer nas sociedades latino-americanas.

O louquíssimo argentino The Mad Half Hour também integrou a seleção do Festival de Berlim, enquanto o chileno Loucas Perdidas levou a Queer Palm do Festival de Cannes. Aliás, se somarmos Francesca, filme cru sobre o dia-a-dia de uma transexual de Santiago, o Chile divide o protagonismo LGBTQ no Festival com o México, que entra chutando todas las puertas com filmes como Gloria, a história de um motorista de ônibus que, à noite, interpreta Gloria Trevi como drag queen e O Rapaz no Bar se Masturba com Raiva e Ousadia, um documentário bastante sincero sobre o cotidiano de um dançarino e garoto de programa.

O Festival de Curtas segue até o dia 30/8. A programação completa, você encontra no site da Associação Cultural Kinoforum.

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